Pedro Passos Coelho fez ontem questão de frisar que "o que aconteceu ao nosso País não foi um imprevisto", reiterando que a situação de crise não foi "inesperada" mas sim "um facto previsível". Apesar disso, o primeiro ministro apelou aos portugueses para não caírem num "pessimismo excessivo" mesmo com as medidas de austeridade.



O chefe do Governo, que visitou ontem as novas instalações da Sicasal, em Mafra, um ano depois do incêndio que destruiu grande parte da fábrica, usou a situação da empresa de salsichas para fazer uma analogia com o que se passa em Portugal, que vive uma situação difícil, mas que irá recuperar. "Temos de lutar de forma intensa contra as adversidades", apelando a um "consenso político e social alargado" para tirar o País da crise. Passos Coelho não tem dúvidas de que o programa de ajustamento terá sucesso, mas reconhece que o caminho até esse momento chegar é difícil. Mas mesmo assim "não há razão para excesso de pessimismo", apesar dos "problemas graves" que Portugal enfrenta.

O primeiro-ministro pediu tempo e criticou "a impaciência no debate dos que querem que se faça tudo ao mesmo tempo para resolver os problemas": "Não é possível". Passos Coelho não se comprometeu, contudo, com uma data de saída da troika nem quis comentar as notícias vindas a público de que o défice acordado no memorando vai voltar a derrapar. O défice poderá chegar aos 9%, quando se comprometeu com 5%.

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