A Igreja Católica quer que as famílias portuguesas tenham mais filhos e façam "todos os possíveis" para inverter a queda da natalidade que, nos últimos trinta anos, tem afectado o País.



Portugal é um dos países com menor taxa de fecundidade em todo o Mundo. O número médio de filhos por mulher, dos 15 aos 49 anos, é de 1,3. Abaixo de Portugal está apenas a Bósnia -Herzegovina, com uma taxa de 1,1. Do lado oposto, o Afeganistão regista a taxa mais alta (6,0), segundo dados das Nações Unidas divulgados ontem. A pobreza, pressões sociais ou dificuldade no acesso ao planeamento familiar são algumas das causas apontadas para a baixa taxa de fecundidade. Nos países desenvolvidos, o aumento do uso de contraceptivos é também o grande responsável pelo declínio da fecundidade: em Portugal, a taxa de prevalência de contraceptivos entre mulheres dos 15 aos 49 anos é de 87 por cento.

D. Antonino Dias, presidente da Comissão Episcopal da Família, mostrou-se "muito preocupado" com os dados do estudo, que considerou "uma tragédia para Portugal". Ao CM, o bispo de Portalegre disse que "a crise não explica tudo" e exortou o Governo a "acabar com o financiamento do aborto". "Vivemos um tempo em que os casais temem o casamento para sempre e evitam constituir família e todos os sacrifícios que ter filhos representa", disse D. Antonino Dias, lembrando que "há umas décadas as dificuldades eram muito maiores e as famílias tinham mais filhos". "Pedimos aos católicos que lutem pela estabilidade do matrimónio e constituam famílias que louvem os valores da vida", acrescentou. Também o porta-voz da Conferência Episcopal comentou o estudo da ONU. "Devem implementar-se políticas que favoreçam as famílias que querem ter filhos. Não é uma coisa marginal, é o problema de sobrevivência de um povo", afirmou o padre Manuel Morujão.

PORTUGAL REGISTOU MENOS MÃES ADOLESCENTES

Estima-se que em 2012 ocorram em todo o Mundo mais de 80 milhões de gravidezes indesejadas por falta de acesso a planeamento familiar, segundo dados das Nações Unidas.

Em 2010, Portugal registou menos mães adolescentes, dos 15 aos 19 anos (16 partos por cada 1000 mulheres). Contudo, verificou-se mais mortalidade entre as crianças até aos cinco anos (5 mortes por cada 1000 nados-vivos) e mortalidade materna (8 mortes por cada 100 000 nados-vivos).

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