Atirei pedras, são as armas que temos", dizia ontem à porta do tribunal Joaquim da Paz, de 65 anos, o mais velho dos nove detidos – ontem libertados – pelos confrontos entre a PSP e manifestantes em frente ao Parlamento na véspera. Ácido muriático, vidros e pedras foram armas usadas e que a PSP apreendeu – para deixar um rasto de feridos e de destruição que se arrastou da rua de São Bento até ao Cais do Sodré, em Lisboa.



Nove homens, entre os 20 e os 65 anos, entre eles um italiano, foram detidos por resistência, coacção, ameaças, ofensas à integridade física e danos. Vinte e uma pessoas, entre as quais um menor, foram identificadas pela Polícia – que apreendeu também uma carrinha e uma arma branca.

A intervenção policial foi o culminar de mais de uma hora de insultos e arremesso de objectos contra o Corpo de Intervenção da PSP em frente à Assembleia da República, anteontem à tarde, no pós-manifestação da CGTP.

A resposta foi uma carga policial sobre os desordeiros, que acabou com 48 pessoas feridas – entre as quais 21 elementos da PSP. E por toda a zona de São Bento ao Cais do Sodré eram ontem de manhã visíveis os danos dos confrontos. Contentores carbonizados, montras destruídas e uma calçada em frente ao Parlamento despida de pedras.

Foi só pelas 19h00 que os detidos começaram a conhecer as decisões da juíza no Tribunal de Pequena Instância. Desde Joaquim da Paz, que disse ser membro do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local, um homem, 64 anos, a um artista plástico, um músico e aos mais jovens – alguns referenciados pela polícia –, todos viram os processos baixarem a inquéritos do DIAP por crimes cometidos cuja moldura penal excede os cinco anos.

SEGURADORAS FAZEM CONTAS AOS ESTRAGOS

Os estragos em viaturas e lojas, decorrentes dos protestos de quarta-feira, só serão pagos aos segurados que tiverem no seu contrato a cobertura contra actos de vandalismo. Trata-se de uma protecção adicional, que habitualmente não está consagrada nos seguros contra terceiros e, por vezes, também não se encontra prevista nos seguros contra todos os riscos.

Segundo apurou o CM junto da Associação Portuguesa de Seguradores (APS), não está prevista a constituição de nenhum grupo especial para fazer o levantamento da totalidade dos estragos. A APS espera que as seguradoras suas associadas lhe comuniquem normalmente quais os prejuízos realizados e o impacto que estes venham a ter nas contas de exploração.

CÂMARA FAZ LEVANTAMENTO DOS PREJUÍZOS

Os prejuízos são muitos. A convicção é da Câmara Municipal de Lisboa que, após os confrontos da passada quarta-feira em frente à Assembleia da República, faz agora as contas aos estragos causados. Por enquanto, fonte oficial da autarquia liderada por António Costa garante ainda não estar na posse de dados que permitam avançar com números concretos. Ainda assim, já se sabe que os desacatos dos manifestantes provocaram estragos sobretudo em sinais de trânsito, na calçada, caixotes do lixo e em alguns espaços verdes da cidade.

cm