Carlos Silvino nunca foi drogado pelos médicos privados que o trataram, nem pela PJ, durante os sete anos em que o defendi", disse ao CM José Maria Martins, ex-advogado do antigo funcionário da Casa Pia, condenado a 15 anos de prisão por abuso de menores.



Na repetição do julgamento dos factos relativos à ‘Casa das Orgias’, em Elvas, Bibi assegurou que estava drogado e que por isso mentiu quando afirmou que tanto ele como Carlos Cruz, Manuel Abrantes, Hugo Marçal, Jorge Ritto, Ferreira Diniz e Gertrudes Nunes eram "todos culpados", no processo Casa Pia.

"Carlos Silvino falou sempre o que quis e porque quis, antes e durante o julgamento. Nunca foi coagido por ninguém para falar", observou Martins, que deixou de representar Bibi após a condenação a 18 anos de prisão na 1ª instância (3 de Setembro de 2010), pena entretanto reduzida a 15 anos pela Relação de Lisboa. "Foi Carlos Silvino que revogou a procuração", vincou.

O advogado assegurou ainda que, por ele, teria continuado a defender Bibi: "Para isso suceder, ele sabe que tinha de manter a colaboração com as autoridades. Afinal, ele também foi uma das vítimas da Casa Pia. Os relatórios médicos dizem que não teria agido como agiu se não tivesse passado pela instituição."

Quanto ao facto de Silvino ter mudado de versão, Martins diz que não ficou surpreendido: "Ele ficou revoltado e frustrado com a condenação, pois o Ministério Público e a PJ disseram-lhe sempre que teria uma pena reduzida, por ter colaborado com a Justiça, o que é normal nestes casos."

ILÍDIO MARQUES PAGO PARA MENTIR

Ilídio Marques vai depor hoje na 6ª audiência da repetição do julgamento do processo Casa Pia referente a um crime em Elvas, no último trimestre de 1999, que envolve Carlos Cruz, Carlos Silvino, Hugo Marçal e Gertrudes Nunes. O jovem identificado como vítima confirmou os abusos no julgamento principal, mas agora mudou de versão, alegadamente a troco de 15 mil euros, garantem colegas seus que também terão sido aliciados.

O antigo casapiano começou a depor no dia 9 de Novembro, mas a sessão teve de ser interrompida por questões de saúde, dado que o jovem tem problemas de toxicodependência.

Ilídio foi das poucas testemunhas que o tribunal aceitou ouvir, uma vez que foi o próprio a escrever ao processo – ainda o caso estava em fase de recurso no Tribunal da Relação de Lisboa – a manifestar a intenção de falar.

Na origem da repetição parcial do julgamento está uma questão processual. Em causa, uma alteração de data relativa a um crime que não foi comunicada aos arguidos, pelo que o processo foi autonomizado.

PERDE SEGURANÇA E PASSA A SER "PRESA FÁCIL"

Bibi ficou sem segurança "dois ou três meses" antes de ser condenado em 1.ª instância a 18 anos de prisão, pena entretanto reduzida a 15 anos, quando a Relação de Lisboa decidiu anular e mandar repetir a parte do julgamento relativa à ‘Casa das Orgias’ em Elvas. "A partir dessa altura, também deixou de ir ao psiquiatra e passou a ser uma presa fácil", observou José Maria Martins.

BIBI TEM REFORMA DE POUCO MAIS DE 400 EUROS

Carlos Silvino tem uma reforma que ronda os 400 euros. Segundo soube o ‘CM’, já tentou por várias vezes arranjar emprego como motorista, mas nunca conseguiu. "Assim que os empregadores sabem quem é, fecham-lhe logo as portas. Nem os antigos amigos o ajudaram", afirmou uma fonte que conhece bem o antigo funcionário da Casa Pia.

MUDA DE CASA POR PROBLEMAS COM VIZINHOS

Carlos Silvino viveu durante alguns anos numa casa camarária, em Lisboa, perto do andar da avenida das Forças Armadas onde, segundo o processo Casa Pia, terão ocorrido abusos sexuais de menores. No entanto, problemas com alguns vizinhos, "que o incomodavam sistematicamente", levaram-no a pedir à autarquia para o mudar de local. Agora vive perto do Parque das Nações.

cm