A mulher no centro do escândalo que derrubou o director da CIA, David Petraeus, e pôs em xeque o general John Allen, comandante das forças da NATO no Afeganistão, está falida e é suspeita de fraude. Incomodada com a fama trazida pelo escândalo, reclama agora protecção diplomática, à qual não tem direito.



Jill Kelley, amiga de Petraeus e presumível amante de Allen, criou em 2005, com o marido cirurgião, a Doctor Kelley Cancer Foundation, para "financiar pesquisas sobre o cancro e ajudar pacientes terminais". Mas, no final de 2007, a fundação faliu. O dinheiro angariado serviu para pagar as festas luxuosas que Kelley oferecia aos oficiais da base McDill, em Tampa, na Florida, e, no momento da falência, a fundação "tinha convenientemente gastado exactamente o montante com que começou, 157 284 dólares [cerca de 123 mil euros]", dizem dois jornalistas do ‘Huffington Post’.

Apesar dos milhares alegadamente ‘desviados’ da fundação, o modo de vida luxuoso de Kelley e do marido, Scott, levou--os a acumular dívidas. Num só processo relativo a um cartão de crédito são-lhes reclamados 100 mil euros.

Kelley mostra-se agora incomodada com o assédio dos jornalistas e chama repetidamente a polícia, lembrando: "Sou cônsul honorária da Coreia da Sul, por isso tenho imunidade, eles não deviam poder entrar na minha propriedade". Infelizmente para ela, o cargo honorário não oferece qualquer regalia ou direito a protecção, policial ou diplomática.

O AGENTE DO FBI SEM CAMISA

Foi ontem revelada a identidade do agente do FBI que iniciou a investigação às infidelidades do general David Petraeus e que depois enviou fotos sem camisa a Jill Kelley, mulher no centro do escândalo. Trata-se de Frederick W. Humphries, de 47 anos, investigador que em 1999 evitou um atentado no Aeroporto de Los Angeles. O advogado do agente alega que a foto de peito nu não significa, como se tem dito, que ele perdeu a cabeça por Kelley. Ela é uma amiga de longa data, assegura, e a foto foi enviada há muitos anos, por "brincadeira". Recorde-se que Humphries denunciou em Outubro, a congressistas republicanos, o caso que viria a derrubar Petraeus.

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