Ex-alunos foram pagos para envolver Ferro Rodrigues e Jaime Gama

A testemunha Ilídio Marques disse na sessão de hoje da repetição do julgamento dos crimes sexuais da casa de Elvas que "dois alunos" da Casa Pia receberam dinheiro para envolver os socialistas Ferro Rodrigues e Jaime Gama.
Ilídio Marques, que se constituiu como assistente no novo apuramento da matéria relativa aos alegados crimes cometidos em Elvas, disse que "ouviu dizer que a doutora Catalina Pestana [que foi provedora da Casa Pia] deu dinheiro a duas vítimas para referirem o nome de Ferro Rodrigues e Jaime Gama".
A testemunha, que disse não ter sido abusada sexualmente na casa de Elvas nem noutro local do processo, denunciou ainda que dois inspectores da Polícia Judiciária o induziram e a outras vítimas para indicar outros nomes em investigação.
"Se menti e falei destas pessoas inocentes era porque tinha na altura duas pessoas adultas, da instituição Polícia Judiciária, a indicar nomes que estavam na investigação", disse.
Inquirido pelo procurador João Aibéo, Ilídio Marques recusou inicialmente identificar os dois agentes da PJ, afirmando que "foram as pessoas que fizeram a investigação".
Depois da insistência, a testemunha acabou por revelar que eram "os agentes Alcinco e Dias André", acusando-os de até a descrição dos "objectos da casa de Elvas" ter sido dita "por eles e não pelas vítimas".
"Estou a dizer verdade. Andei-me a esconder atrás de alguém com a mentira. Por isso, agora vou dizer a verdade. Não admito que duvidem de mim", acrescentou.
Perante as revelações em tribunal, João Aibéo comunicou ao colectivo de juízes que vai extrair uma certidão para abertura de inquérito por perjúrio de Ilídio Marques.
Os crimes sexuais de Elvas, alegadamente cometidos contra ex-alunos da Casa Pia, estão a ser julgados de novo, depois de o Tribunal da Relação de Lisboa ter decretado a nulidade do acórdão na parte respeitante aos abusos cometidos na casa alentejana.
Em Fevereiro, a Relação de Lisboa remeteu para a primeira instância a matéria relativa aos crimes cometidos em Elvas, que envolve os arguidos do processo Casa Pia Carlos Silvino, Hugo Marçal, Carlos Cruz e Gertrudes Nunes.

Fonte: Lusa/SOL