Cristina Alves tinha premeditado a morte do irmão, Luís, há vários dias. A cozinheira, de 35 anos, que cometeu o crime na quarta-feira, em Setúbal, e que ainda agrediu a mãe com uma picareta, andava amedrontada e há cerca de uma semana terá decidido que a morte do irmão era a única forma que tinha de acabar com as ameaças de que era alvo, por parte dele, devido à partilha de bens.



A cozinheira planeou também, desde o primeiro momento, suicidar-se. Cristina não queria que os filhos menores, que também teriam sido alvo de ameaças, vissem a mãe na cadeia e, como tal, decidiu pôr termo à própria vida, usando a caçadeira com a qual matou o irmão.

A carta que a homicida deixou aos filhos permitiu à Polícia Judiciária de Setúbal reconstituir de imediato a forma como tudo aconteceu, e os motivos que levaram a mulher a matar o irmão. A agressão para com a mãe, que não corre risco de vida, terá sido decidida no momento. Esta sempre protegeu Luís e Cristina andava revoltada. "Tudo o que fiz foi pelos meus filhos, porque não aguentava as ameaças por parte do meu irmão. Não vou deixar que ele faça mal ao meu marido e aos meus filhos. Deixo esta carta para que percebam que tinha de ser assim. Esteja eu onde estiver vou olhar por vocês filhos, amo-vos muito", escreveu Cristina.

O crime aconteceu na casa dos pais de Cristina, em Faralhão. A cozinheira foi ao quarto do irmão, de 53 anos, buscar a caçadeira que ele possuía, uma vez que era caçador, e assim que este entrou, disparou duas vezes na sua direcção. A vítima, que se encontrava desempregada há já alguns meses, teve morte imediata.

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