Portugal é dos países da União Europeia (UE) com mais mortes por ano por cancro da próstata, segundo um relatório ontem divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).



Segundo o organismo, que analisa os indicadores de saúde dos 27 Estados-membros, o nosso País regista 23,4 mortes anuais por 100 mil habitantes devido a cancro da próstata, valores acima da média europeia, que se situa nos 22,6 mortes por 100 mil habitantes.

Perante estes números, Jorge Espírito Santo, antigo presidente do Colégio da Especialidade de Oncologia Médica da Ordem dos Médicos, disse ao CM que uma taxa de mortalidade mais elevada em Portugal do que a média europeia poderá ser explicada com uma "maior probabilidade de os doentes chegarem tardiamente" ao diagnóstico.

Mas não só. A par de um diagnóstico tardio, o problema poderá estar relacionado com uma diminuição do acesso aos cuidados. "É necessário que a população esteja atenta a este tipo de cancro, que é altamente tratável", sublinhou o oncologista.

Apesar destes maus resultados nacionais, o especialista lembrou outro estudo europeu que revela que Portugal "gasta metade da média europeia" no tratamento do doente oncológico, e apresenta os melhores resultados em termos de sobrevivência.

Outros indicadores de saúde negativos de Portugal são relativos ao número de novas infecções do vírus da sida (VIH), com 3,3 novos casos por 100 mil habitantes, enquanto a média europeia é de 1,1 novos casos de infecção por cada 100 mil. O número de doentes de sida, doença manifestada por pneumonia ou tuberculose, também é mais elevada, colocando o País no quinto pior lugar do ranking dos 27 países da União Europeia.

A OCDE lembra que a sida é o maior problema de saúde pública na Europa, com 27 mil novas infecções por ano.

PREVENIR CHEGADA CHEGADA DO MOSQUITO AO CONTINENTE

A Direcção-Geral da Saúde está a preparar um plano de contingência para prevenir a chegada e a identificação dos mosquitos Aedes aegypti que provocam a infecção de dengue, segundo afirmou ao CM o director-geral da Saúde, Francisco George. Na Madeira há 669 pessoas com o diagnóstico da febre de dengue, nove no continente e onze estrangeiros. Vinte especialistas em insectos (entomologistas) vão criar um sistema de alerta para detectar e eliminar os mosquitos invasores.

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