Ele não merecia tamanho castigo. Deus podia tê-lo deixado cá mais uns anos, o que vai ser de mim?", questionava, inconsolável, a viúva de Domingos Costa, o homem de 66 anos, sacristão da paróquia de Martim, Barcelos, atropelado mortalmente anteontem, às 18h40, ao atravessar a Estrada Nacional 103, quando ia para a missa. Foi projectado cinco metros. A população reclama mais segurança para a passadeira onde já houve outros atropelamentos mortais.



"Estão sempre a haver aqui atropelamentos e ninguém se preocupa em melhorar isto. Deviam colocar lombas e mais iluminação junto à passadeira", disse ao CM, indignada, Fátima Araújo, moradora em Martim.

O presidente da Junta local, António Carvalho, adiantou ao CM que ainda esta semana reuniu-se com responsáveis da Estradas de Portugal. "É urgente criar condições de segurança neste local, porque se trata de uma recta onde os automobilistas circulam, muitas vezes, em excesso de velocidade", referiu.

Na casa da vítima mortal, em Martim, a escassos cem metros do local do atropelamento, o ambiente era de profunda consternação. A mulher, paraplégica, totalmente dependente, lamentava, em prantos, a pouca sorte do marido. "Desde que se reformou, nunca mais fiquei sozinha, fazia-me tanta companhia", dizia Lúcia Borges, num choro convulsivo.

Domingos Costa, que trabalhou numa empresa de metalurgia, em Braga, deixa sete filhos, uma ainda menor. O funeral realiza-se hoje à tarde, em Martim.

O condutor da carrinha que atropelou o sacristão, com cerca de 40 anos, ficou em estado de choque. "Não me apercebi do homem na passadeira", disse, no local, à GNR.

cm