O deputado brasileiro Paulo Maluf, terceiro mais votado nas eleições legislativas de 2010, foi condenado por fraude pela justiça da Ilha de Jersey, um paraíso fiscal britânico, e a devolver milhões de euros aos cofres da cidade de São Paulo, que presidiu nos anos 90.



Segundo a corte daquela ilha, em 1998, Maluf desviou 8,3 milhões de euros de obras públicas em São Paulo e enviou o dinheiro para as contas de duas empresas que ele e o filho, Flávio Maluf, criaram naquele offshore.

De acordo com a sentença da corte de Jersey, o dinheiro foi desviado das verbas para construcção da Avenida Águas Espraiadas, posteriormente rebaptizada de Avenida Jornalista Roberto Marinho, na zona sul da capital paulista.

O dinheiro terá sido enviado para contas em Nova Iorque, nos EUA, e daí para as contas em Jersey.

Paulo Maluf sempre negou ser o proprietário dessas contas e nesta sexta-feira, ao ser informado da condenação, voltou a afirmar que nunca desviou qualquer verba nem tem qualquer conta no estrangeiro.

Mas a corte real de Jersey escreve claramente na sentença não haver qualquer dúvida de que Paulo Maluf e o filho são os donos das contas e que o dinheiro foi realmente desviado da verba da avenida.

Pelos cálculos de especialistas, com a aplicação de juros desde 1998, o valor que Paulo Maluf terá que devolver aos cofres da edilidade paulistana poderá ser superior a 25 milhões de euros.

A justiça brasileira já conseguiu bloquear as contas na ilha de Jersey, o que garante o recebimento da maior parte da verba desviada, e o restante será realizado através do confisco de bens de Maluf no Brasil.

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