Às 08h00 de ontem já Ana Nogueira, de 51 anos, estava de vassoura na mão a limpar a ruas de Silves. Foi apenas uma entre mais de um milhar de pessoas que respondeu ao apelo da autarquia para que a população colaborasse na limpeza dos destroços causados pelo tornado de sexta-feira. O fenómeno atingiu Lagoa e Silves e provocou cerca sete milhões de euros de prejuízos.



"Como cidadão, tinha de contribuir com o meu gesto de solidariedade", explica Jorge Mateus, de 55 anos, enquanto limpava os destroços de árvores. Cristina Silva, de 38 anos, acompanhada pelo filho de 14, também não faltou à chamada: "Queremos que a cidade volte a ser o que era", frisa a popular.

A solidariedade também veio de fora do concelho. A delegação do Algarve da Associação de Fuzileiros, com sede em Albufeira, esteve presente com 12 elementos. Entretanto, uma equipa especializada de voluntários da Protecção Civil retirou placas partidas no telhado das piscinas.

"O trabalho voluntário destas pessoas permitiu fazer num dia aquilo que provavelmente, apenas com os meios da Câmara, levaria três ou quatro meses a ser realizado e reduziu os custos dos prejuízos, que tínhamos estimado em 5 milhões de euros", diz Rogério Pinto, presidente da autarquia, adiantando: "Depois do tornado da destruição, tivemos o tornado da bondade".

O edifício da Câmara foi dos mais afectados da cidade, mas as reparações que estavam a ser realizadas ontem, com a ajuda de populares, deverão permitir a reabertura dos serviços durante a tarde de hoje.

O presidente da Câmara espera, entretanto, que haja da parte do Governo a disponibilização de verbas para fazer face aos prejuízos.

"Estamos a fazer um levantamento dos danos para que seja rapidamente enviado ao Governo um relatório, esperando que depois seja marcada uma reunião", diz Rogério Pinto.

Além dos danos materiais, o tornado fez 13 feridos. Duas das vítimas (mulheres) continuam internadas no Hospital de Faro.

SEGURADORAS DÃO LUZ VERDE PARA REPARAÇÃO DE ESTRAGOS

Os moradores de alguns dos cerca de 80 apartamentos afectados pelo tornado, na cidade de Lagoa, "já têm autorização das seguradoras para mandarem efectuar as obras de reparação", revela Rui Correia, vice-presidente da Câmara.

O autarca explica, no entanto, que há casos em que os seguros "não cobrem o recheio das habitações", o que motiva "a sua preocupação, dado que várias famílias perderam quase tudo". Além de casas, o tornado inutilizou cerca de "duas dezenas de viaturas".

Em Lagoa, a limpeza da área urbana atingida pelo tornado foi realizada no sábado, com a participação de pessoal da Câmara, bombeiros e moradores. Ontem, estavam a ser feitas reparações em telhados.

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