O ministério da Defesa britânico defendeu neste domingo a sua prática de disparar sobre porcos e entregar os animais feridos aos cirurgiões militares para que treinem o tratamento de ferimentos de guerra comuns.



A porta-voz da Associação Real para a Prevenção de Crueldade em Animais, Klare Kennett, disse que os exercícios de treino, que se realizam duas vezes por ano na Dinamarca, são "horríveis e chocantes".

"Os porcos são animais inteligentes e a maioria das pessoas sentir-se-ia aterrada com isto, especialmente quando existe uma alternativa que não envolve fazer mal a animais", sublinhou.

O ministério britânico indicou que o treino dá aos cirurgiões "experiência incalculável" e "ajuda a salvar vidas nas operações".

Os animais são fortemente anestesiados antes de serem atingidos a tiro à queima-roupa "para danificar órgãos sem matar os animais" e depois são operados antes de serem mortos de forma humana, frisou o ministério.

"Este treino fornece uma experiência inestimável, expondo as nossas equipas cirúrgicas aos desafios específicos colocados pelos ferimentos dos modernos conflitos armados", afirmou um assessor do ministério.

"Tal treino tem ajudado a salvar vidas em operações e, ao participar nos exercícios dinamarqueses, minimizamos o número total de animais usados", acrescentou.

Os defensores dos direitos dos animais argumentam que aparelhos simuladores de vida humana são mais eficientes para treino médico do que animais vivos.

Mas os cursos, que tinham sido suspensos em 1998, foram retomados depois de um estudo encomendado pelo Governo ter concluído que não existia "uma alternativa igualmente eficaz".

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