Tribunal de Benavente

Homem que degolou a mulher volta a ser julgado

O Tribunal de Benavente decidiu repetir o julgamento de um homem que foi condenado a 19 anos de prisão por ter degolado a esposa, devido a falhas na gravação dos depoimentos das testemunhas e do arguido.
Fonte ligada ao processo disse, esta segunda-feira, à agência Lusa, que o novo advogado do arguido, antes de recorrer para o Tribunal da Relação, solicitou a audição dos testemunhos feitos durante o julgamento, mas alguns dos depoimentos constantes no CD estavam "impercetíveis", o que levou à sua anulação.
A mesma fonte adiantou que a repetição começou na semana passada, estando agendadas mais duas sessões para 13 e 20 de dezembro, com um novo coletivo de juízes e o mesmo procurador do Ministério Público, face ao primeiro julgamento.
Segundo o despacho de acusação do Ministério Público, na noite de 11 de setembro do ano passado, durante uma discussão relativa à rutura do casamento, o arguido desferiu vários golpes na mulher, com uma faca de cozinha de 33 centímetros de comprimento.
No acórdão do primeiro julgamento, de 12 de julho, o tribunal de Benavente determinou ainda que Bouna Sackho seja expulso do país após cumprir dois terços da pena e que pague uma indemnização de 180 mil euros à mãe da vítima.
Para o coletivo de juízes, ficou então provado que Bouna Sackho matou a mulher, Helmina Biem, de 23 anos, com uma faca, no quarto do casal, "na sequência de uma discussão devido à rutura iminente do casamento". O tribunal não deu qualquer relevância à tese apresentada pelo arguido, durante o julgamento, de que teria agido em legítima defesa.
A presidente do coletivo, Carla Ventura, considerou o crime "atroz", destacando o facto de o homicida em momento algum "ter demonstrado arrependimento ou emoção", apesar de ter pedido perdão à família nas alegações finais.
O tribunal não teve dúvidas de que o arguido, após ter matado a esposa no quarto, quando esta se encontrava "nua e vulnerável", andou "de um lado para o outro no interior da casa". Cerca de duas a três horas depois, "sentou-se num canto da casa de banho" e decidiu autoinfligir vários golpes na zona torácica e no pescoço.
"Só não fiquei convencida se esses golpes eram para se suicidar ou para arranjar uma forma de se desculpabilizar. O senhor matou a sua esposa. Quando saiu de casa e foi pedir ajuda aos vizinhos, essa ajuda era para si, que se esvaía em sangue, e não para a sua esposa", sustentou, na ocasião, a presidente do coletivo.
Quanto ao pedido cível, Carla Ventura disse que "nada compensa a morte de uma filha", determinando que o arguido pague 180 mil euros à mãe da jovem.

Fonte: Jornal de Notícias