O advogado Rui Pimenta, que defende o ex-guarda-redes do Flamengo Bruno, afirmou ontem, em Contagem, onde o atleta e mais quatro arguidos começaram a ser julgados pela morte da modelo Eliza Samúdio, cujo corpo nunca foi encontrado, que a jovem está viva. O início do julgamento foi complicado devido aos ânimos exaltados de outros advogados, nomeadamente o do ex-polícia Marcos Aparecido Santos, o ‘Bola’, acusado de esquartejar Eliza, que abandonou mesmo o tribunal.



Segundo declarou aos jornalistas, Rui Pimenta recebeu informações de que a modelo, de 25 anos, foi vista em vários locais depois da sua alegada a morte, a 10 de Junho de 2010, e que estaria a viver num país do leste da Europa com o nome falso de Olívia Lima. O advogado adiantou que luta agora contra o relógio para conseguir provas de que Eliza não foi morta, nomeadamente imagens que a mostram num hotel de São Paulo, quinze dias após a presumível execução.

A primeira sessão do julgamento arrastou-se ao longo do dia e a escolha dos jurados suscitou grande polémica entre os advogados de defesa, descontentes por terem sido chamadas seis mulheres e apenas um homem. Em protesto contra a dispensa de 12 jurados homens pela juíza Marixa F. Rodrigues, os advogados dos cinco arguidos ameaçaram abandonar o julgamento mas, no final, só um deles deixou o fórum.

Segundo a acusação, Eliza, que exigia que Bruno reconhecesse a paternidade do seu filho, foi raptada no Rio de Janeiro por Luís Henrique Romão, o ‘Macarrão’, braço-direito de Bruno, também arguido, e levada para a casa de campo do atleta em Esmeraldas, Minas Gerais. Acabou por ser morta e esquartejada na casa de um ex-polícia, amigo de Bruno.

O público em redor do tribunal dividia-se ontem entre considerar Bruno um monstro e uma vítima de uma armadilha dos que o rodeavam.

DUAS TESTEMUNHAS ASSASSINADAS A TIRO

Ataques contra a vida de alegados envolvidos no mediático caso de Bruno marcaram o período entre o final da investigação, em 2010, e o início do julgamento.

Em Janeiro de 2011, homens armados invadiram a casa de Geisla Leal, a mulher em cuja posse foi encontrado em 2010 o filho de Eliza e Bruno. Como não a encontraram, mataram a irmã, Graziele Beatriz Leal, a única pessoa que se encontrava presente. O assassinato obrigou a novas investigações sobre um caso já de si envolto em grande mistério.

Como se não bastasse, em Agosto passado, foi a vez de Sérgio Rosa Sales, primo de Bruno. Este foi desde sempre considerado uma testemunha-chave em todo o processo por ter declarado ter visto Eliza sair (alegadamente para ser morta) e ter ouvido, horas depois, o futebolista afirmar que "tinha feito uma grande asneira". Sérgio Rosa Sales, recorde-se, foi assassinado com seis tiros ao sair de casa, em Belo Horizonte. Quatro dias depois, o ex--motorista de Bruno, Cleiton Gonçalves, preso em 2010 ao volante do carro do guarda-redes, onde foi encontrado sangue de Eliza mas que tinha sido posto em liberdade, foi perseguido e baleado na rua, mas conseguiu fugir e está escondido.

cm