Os dirigentes das associações da restauração ainda acreditam em alterações ao Orçamento do Estado para 2013, nomeadamente em relação ao IVA no sector, que no último ano passou de 13 para 23 por cento. Os empresários dizem que a medida foi responsável por uma "tragédia no sector" e a luta está a subir de tom.



O Movimento Nacional de Empresários da Restauração promoveu ontem um protesto nacional que levou ao encerramento de muitos restaurantes. Durante esta semana, os empresários vão ter vários encontros com deputados da maioria PSD/CDS para os convencer da iminente "ruína" de milhares de famílias caso o IVA se mantenha nos 23 por cento.

Este movimento mantém a esperança, tal como a AHRESP, apesar desta associação não ter aderido ao Dia Nacional Sem Restaurantes.

"Estamos solidários com este sub-sector da restauração tradicional, mas um dia de portas fechadas tem um impacto negativo nas contas", sublinhou ao CM o secretário-geral da AHRESP, José Manuel Esteves. O mesmo dirigente lembra que "até dia 27 [data da aprovação final do Orçamento do Estado] ainda pode haver alterações". "Até ao lavar dos cestos é vindima", conclui.

Quanto à criação do grupo de trabalho interministerial para estudar a viabilidade de reduzir a taxa do IVA, anunciado pelo Governo, a associação teme que "os resultados desta iniciativa possam não chegar a tempo de salvar os sectores da restauração e do turismo, já hoje dizimados por uma carga fiscal injusta e insuportável".

A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) acredita ainda, no entanto, "num rebate de consciência por parte dos deputados".

RECEITA DIÁRIA PARA COMPRAS DO DIA SEGUINTE

Muitos restaurantes não aderiram ao protesto de ontem porque "é com a receita do dia que fazem as compras no dia seguinte", explicou ao CM José Pereira, do Movimento Nacional de Empresários da Restauração. Esta é a realidade de milhares de pequenos negócios, a esmagadora maioria de carácter familiar, que têm registado quedas na ordem dos 40 por cento, ainda segundo José Pereira. A situação é dramática, sublinha este proprietário, recordando o caso de uma empresária de Matosinhos que perdeu uma parte significativa da sua clientela. "Quando os questionou sobre o porquê de terem deixado de frequentar o restaurante, explicaram-lhe que tinham passado a levar a comida de casa", conclui.

MOVIMENTO APONTA PARA ADESÃO DE 70%

A adesão dos restaurantes surpreendeu o próprio Movimento Nacional de Empresários da Restauração, que convocou o protesto de ontem. "Em muitas zonas do País a adesão superou os 70 por cento, nomeadamente em Braga, Viana do Castelo, Sesimbra, Fátima e Batalha", adiantou ao CM José Pereira do movimento de proprietários. Em Leiria, tal como noutros locais, os proprietários fecharam as portas dos estabelecimentos e concentraram-se na rua, manifestando-se contra a actual taxa do IVA, que está a ‘matar’ o sector.

cm