Faria de Oliveira diz que banco de fomento pode ser 'importante' na recuperação de Portugal

O presidente não executivo da CGD, Faria de Oliveira, disse hoje que uma instituição que tenha por objectivo optimizar fundos europeus pode ser "importante e benéfica" na recuperação da economia portuguesa, mas recusou o nome banco de fomento.
"O Ministro das Finanças falou numa instituição de crédito especializada e, nesse sentido, pode ser importante e benéfica (...). Pode vir a ser um instrumento favorável para a recuperação económica do país", disse aos jornalistas o presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD), à margem de um encontro de bancos centrais dos países de língua portuguesa, em Lisboa.
Uma posição diferente da que o responsável assumiu no início deste mês. No Fórum da Banca, quando questionados sobre este tema os principais banqueiros mostraram-se contra a possível criação de um banco de fomento, argumentando que as atuais instituições já fazem esse papel.
Faria de Oliveira foi mesmo peremptório ao sublinhar que "Portugal não precisa de um banco de fomento", justificando que as linhas de crédito estão a ser utilizadas.
Hoje, o responsável considerou já que uma instituição que "visa otimizar a utilização de recursos provenientes dos fundos estruturais e de outros fundos" da União Europeia e de "linhas de crédito" pode ser "essencial para passar da recessão para o crescimento económico e para a recapitalização das empresas", mas colocou em causa o nome com que está a ser denominada.
"A denominação banco de fomento não sei se será a mais adequada", afirmou o também presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB).
Questionado sobre se o retrocesso face à posição inicial se relaciona com o facto de essa instituição não ter como função fazer concorrência à banca comercial, Faria de Oliveira respondeu: "Exactamente".
"Em princípio não será instituição que capte depósitos, será muito orientada para o apoio ao investimento e à recapitalização das empresas", afirmou.
Também o presidente do BES, Ricardo Salgado, disse recentemente que uma eventual nova instituição de crédito "pode ser muito útil" a Portugal. Isto, depois de inicialmente, se ter mostrado contra.
"Fomos apanhados de surpresa com a história do banco de fomento. Disse que não entendia como poderia funcionar em Portugal, devido aos custos de 'funding' [financiamento]", admitiu o banqueiro na conferência de apresentação de resultados do BES, apontando para a importância do envolvimento do banco de fomento alemão KfW no projecto.
Salgado tinha afirmando, também no Fórum da Banca, que um banco com as características de fomento só poderá existir se for "financiado por fundos estruturais vindos da União Europeia", porque no que toca a financiamento da economia, "os bancos portugueses têm preenchido muito bem o seu papel naquilo que é possível".
Sobre o papel da CGD neste projecto, Faria de Oliveira disse hoje que o banco público está disposto a dar "toda a colaboração que venha a ser pedida", já que o "aproveitar de recursos e competências existentes" pode acelerar a implementação desta instituição.
Sobre se esta instituição poder ficar na CGD, como um braço de actividade desta, o responsável referiu apenas que essa "é uma matéria que o Governo decidirá".

Fonte: Lusa/SOL