Nélson está entre as mais de vinte testemunhas de defesa do pai, António Pereira, 66 anos, acusado de oito crimes de abusos sexuais a meninas, entre os três e os nove anos. Anteontem, no Tribunal de Torres Vedras, o ex-guarda-redes do Sporting defendeu o progenitor, dizendo que sempre foi bom pai.

Nélson aceitou responder às perguntas do colectivo de juízes, mas recusou falar dos crimes de que o pai é acusado. E justificou-se, dizendo que o que sabe do processo foi através dos jornais. O ex-guarda-redes protegeu sempre o pai, à semelhança dos irmãos e da família, mas explicou ao tribunal que na altura em que os factos aconteceram – entre 2006 e 2010, ano em que foi detido pela Polícia Judiciária – já não estava a viver com os pais em Outeiro de Cabeça.

O ex-jogador acrescentou que aquando das visitas a casa dos pais durante o período em que alegadamente decorreram os abusos nunca se apercebeu do que se passava, achando o comportamento do pai "normal".

António Pereira era motorista da Junta de Freguesia e aproveitava para apalpar e forçar as meninas que iam para a escola a "dar-lhe beijinhos na boca", sustenta a acusação do Ministério Público. O arguido, que está agora em prisão domiciliária, está a responder não só por abuso sexual mas também por violação, rapto e coacção. No dia 5 de Novembro começou a ser julgado e negou a acusação, garantindo: "Nem os meus netos eu pego ao colo."

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