A Casa Pia vive um estado de espírito atento e vigilante." Dez anos depois do escândalo de abusos sexuais que abalou a instituição, a actual presidente do Conselho Directivo da Casa Pia, Cristina Fangueiro, admite que "nenhuma instituição que acolha crianças consegue garantir que não existe a ameaça do abuso sexual", mas assegura que os educadores receberam formação e os procedimentos foram alterados.

"Neste momento, a Casa Pia de Lisboa é uma das instituições mais preparadas para minimizar a possibilidade dessa ocorrência. A Casa Pia teve que aprender", afirma Cristina Fangueiro, em resposta ao Correio da Manhã, dando como exemplos de mudanças a desmassificação e a redução do rácio educador/educando. "Especificamente na área dos abusos, os seus colaboradores receberam formação intensa sobre essa problemática", revela a presidente do Conselho Directivo da Casa Pia, lembrando que foi publicado um manual de boas práticas para a prevenção, detecção e situações de abusos sexuais, que contou com a colaboração do professor Tillman Furniss.

Apesar de não haver registo de abusos sexuais na instituição desde o escândalo – que deu ainda origem a processos paralelos –, Cristina Fangueiro sublinha a "constante colaboração com as autoridades judiciais num espírito de total transparência e procura da verdade".

RESIDÊNCIAS COM 15 CRIANÇAS

Actualmente, as unidades de acolhimento da Casa Pia têm 231 crianças, distribuídas por grupos que variam entre 12 e 15 menores. "Estamos a fazer uma progressiva especialização das unidades de acolhimento, diferenciadas em função das necessidades das crianças, como uma especializada para gestão de problemas comportamentais", explica Cristina Fangueiro, que recusa falar agora em internato.

UM PSICÓLOGO PARA CADA 24 MENORES

Cristina Fangueiro explica que após o escândalo de abusos sexuais de 2002, que rebentou com a detenção de Carlos Silvino, antigo motorista da instituição – já condenado a quinze anos de prisão –, dezenas de técnicos superiores foram contratados, tendo sido ainda disponibilizado um Curso de Especialização Tecnológica em Acolhimento Residencial. "Temos um psicólogo e um assistente social para acompanhar cerca de 24 crianças", revela.

"IMAGEM DA INSTITUIÇÃO É POSITÍVA"
Cristina Fangueiro, presidente da Casa Pia

Correio da Manhã – A imagem da instituição ainda está afectada pelo escândalo?

Cristina Fangueiro – Estamos em crer que não. A imagem da Casa Pia junto dos seus parceiros da comunidade em geral e das famílias dos educandos é reconhecidamente positiva.

– De que forma o processo judicial se repercute no dia-a-dia da instituição?

– Naturalmente que tudo o que tem a ver com a instituição constitui factor de interesse. Hoje em dia podemos dizer que não existe qualquer perturbação na instituição. Sentimos que os nossos colaboradores estão fortemente empenhados em dissipar as repercussões negativas e em restabelecer a imagem favorável desta instituição.

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