O provedor da Santa Casa Misericórdia, Pedro Santana Lopes, exortou esta terça-feira, em Paredes, os representantes da 'troika' em Portugal a conhecerem melhor o país e deixarem de impor "medidas decididas com régua e esquadro".

"Para se ter sensibilidade social é preciso conhecer. Não podem [os representantes da 'troika'] chegar a Lisboa de avião, passar horas ou dias em reuniões nos gabinetes e voltar para as suas capitais sem conhecer o país para o qual se desenham e se exigem determinadas políticas" afirmou.

O antigo primeiro-ministro falava aos jornalistas após a inauguração de um centro escolar em Paredes, para a qual foi convidado pelo município.

Pedro Santana Lopes tinha terminado o seu discurso desafiando o autarca local, o social-democrata Celso Ferreira, a convidar os representantes da 'troika' para visitarem aquele estabelecimento de ensino. "Fazia-lhes bem, para perceberem e para sentirem que em Portugal vai haver futuro e que há quem trabalhe para construir futuro", afirmou, muito aplaudido por alunos, professores e encarregados de educação.

No final, convidado pelos jornalistas a explicar melhor o desafio que lançara ao autarca local, Pedro Santana Lopes disse que, se os representantes da 'troika' conhecessem melhor Portugal, percebiam que "o país não pode fechar, à espera que um dia o ciclo económico mude".

O antigo chefe do Governo acrescentou: "Há outros caminhos para além do puro encerramento de estabelecimentos comerciais ou de unidades fabris. As políticas no mundo de hoje não podem ser desenhadas só a régua e esquadro, têm de ser desenhadas com sentido social".

A propósito da aposta de Paredes na construção de 14 centros escolares, num investimento global de 50 milhões de euros, Pedro Santana Lopes lembrou que, "para qualquer país ter futuro e reduzir as desigualdades sociais, necessita apostar na qualificação dos seus recursos".

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