Há seis anos que não temos entrada de efectivos. Isto faz com que o socorro esteja em causa. Basta de maltratarem os bombeiros!", dizia Filipe Santos, delegado sindical dos Bombeiros Sapadores de Setúbal, traduzindo o sentimento de insatisfação dos cerca de mil bombeiros profissionais que ontem se manifestaram na Praça do Comércio, em Lisboa.

"É um descontentamento muito grande, porque pode estar em causa a salvaguarda das populações", disse, ainda, o presidente da Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais, Fernando Curto, explicando que há um grande défice de profissionais – cerca de 1500.

Uma das palavras de ordem foi a ‘uniformização’. "Queremos uma carreira única, fardamentos iguais, salários iguais e a criação de um horário de trabalho. Não queremos continuar aqui todos com roupas diferentes", continuou Paulo Ferreira, subchefe dos Bombeiros Sapadores do Porto.

Quanto aos salários, Henrique Maria, dos Sapadores de Olhão, explica as disparidades: "Os bombeiros municipais em início de carreira recebem cerca de 550 euros e os Sapadores, também em início de actividade, recebem o dobro", disse, pedindo igualdade. Entre os apitos, sirenes e buzinas, gritavam "Bombeiro unido, jamais será vencido" e "Passos gatuno, bombeiros sem futuro".

Fernando Curto pediu rapidez na resolução dos problemas e entregou um memorando reivindicativo à presidente da Assembleia da República. Foi entregue um pré-aviso de greve para a próxima terça-feira, que ainda vai ser avaliado conforme as negociações com o Ministério.

"COELHEIRA DO GOVERNO"

Os bombeiros levaram a "Coelheira do Governo" como forma de sátira ao Governo. E colocaram nos coelhos fotografias de Pedro Passos Coelho, Vítor Gaspar, Paulo Portas e Angela Merkel . "É o Coelho e a sua corja", ouvia-se entre os gritos. A "Coelheira" acompanhou-os durante toda a manifestação.

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