Foi um processo que me marcou profundamente: pela convivência com a dor, pela consciência de que ali se julgava parte da realidade histórica." As palavras são de José António Barreiros, que representou as vítimas de abusos sexuais da Casa Pia entre Agosto de 2005 e Fevereiro de 2007, depois de Proença de Carvalho e António Pinto Pereira.



Cinco anos depois de ter deixado o caso, Barreiros, que nunca explicou os motivos da sua saída, admite que possa ser mal interpretado, mas sublinha: "Nunca o meu mal será comparável aos dos que sofreram os horrores."

Apesar de ter uma longa carreira de advocacia, sendo um dos penalistas mais reconhecidos, José António Barreiros, de 63 anos, admite que o processo Casa Pia não foi "apenas mais um caso remunerado". Barreiros recorda a fragilidade e as incertezas, e as três horas que dormia por noite, por vezes no sofá do escritório. "Quando entrei, tive de me preparar a partir do zero. Não me esgotei porque sentia que era o meu dever resistir. Aprendi que até ao último minuto se luta por uma causa", diz José António Barreiros que, além de ter liderado a equipa de advogados do megaprocesso - responsabilidade que passou a Miguel Matias -, representou em julgamento o jovem que foi acusado de difamação por Jaime Gama e que acabou absolvido.

O processo de pedofilia, recorde-se, juntou alguns dos mais ilustres causídicos, sendo que, actualmente, apenas Paulo Sá e Cunha e Ricardo Sá Fernandes se mantêm desde o início do processo, que completa dez anos dia 25, data em que ‘Bibi' foi preso. Daniel Proença de Carvalho, António Pinto Pereira, João Nabais e Rodrigo Santiago - que conseguiu libertar Jorge Ritto através de um recurso - foram apenas alguns dos advogados mais conhecidos que passaram pelo maior processo da Justiça portuguesa.

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