A direcção de informação da RTP apresentou esta quarta-feira a sua demissão em bloco.



O CM confirmou a decisão junto de fontes da empresa e teve acesso a uma nota da administração da RTP, liderada por Alberto da Ponte, e a uma carta enviada por Nuno Santos à redacção que avançam com explicações para o sucedido.

“Responsáveis da Direcção de Informação facultaram a elementos estranhos à empresa, nas instalações da RTP, a visualização de imagens dos incidentes verificados após a manifestação em frente à Assembleia da República, no dia da greve geral”, sem que a administração tenha sido consultada ou informada sobre o sucedido, lê-se na nota da administração a que o CM teve acesso.

Este facto foi considerado pela equipa de Alberto da Ponte como uma “acção abusiva, uma quebra grave das responsabilidades inerentes à cadeia hierárquica interna da empresa”, além de que poderá ser “uma violação dos direitos liberdades e garantias”. Desta forma, o Conselho de Administração reuniu hoje com Nuno Santos, que acabou por apresentar a sua demissão, aceite pelos responsáveis da empresa.

Agora, será aberto um inquérito e “dele decorrerá a abertura de eventuais processos disciplinares que se venham a justificar”.

Em nota enviada à redacção, Nuno Santos, que contactado pelo CM não fez comentários, confirmou a demissão, acrescentando que “esta decisão é irreversível”.

Nuno Santos diz que antes da decisão teve “contactos informais e uma reunião com o Conselho de Redacção” e reuniu com a Comissão de Trabalhadores. “Aos dois órgãos, e no plano da competência de cada um deles, prestei todos os esclarecimentos que me foram pedidos sobre uma hipotética entrega a entidades externas à RTP de imagens não exibidas (vulgarmente denominadas como “brutos”) dos incidentes do passado dia 14 de Novembro em frente ao Parlamento”.

Nesses encontros garantiu “que nenhuma imagem saiu das instalações da RTP”.

Contudo, assume, este “processo abalou a relação de confiança com o Conselho de Administração” a quem, diz, expressou uma “profunda discordância com o clima de suspeição instalado antes mesmo da abertura de qualquer processo de inquérito”.

Nuno Santos refere ainda que não teve “qualquer intervenção directa” nem autorizou “de forma expressa ou velada a cópia de quaisquer imagens”.

cm