Pedido de imagens da manifestação faz cair Nuno Santos

Nuno Santos apresentou, esta quarta-feira, o pedido de demissão da Direcção de Informação da RTP. Na origem da decisão esteve a polémica interna gerada pelo pedido da PSP de imagens recolhidas durante a manifestação da passada quarta-feira.
E a falta de confiança que sentiu, nesse processo, por parte da administração liderada por Alberto da Ponte, que garante que imagens da RTP foram cedidas sem o seu conhecimento. (Notícia actualizada às 23h13)«Na minha condição de Director de Informação não tive qualquer intervenção directa nem autorizei de forma expressa ou velada a cópia de quaisquer imagens. No entanto e como líder da equipa entendo que, se não existe confiança na Direcção de Informação, devo assumir por inteiro as minhas responsabilidades», escreveu num e-mail enviado à redacção.
Em causa está um pedido feito pela Polícia de Segurança Pública à RTP sobre as imagens recolhidas durante a manifestação de quarta-feira.
O pedido gerou muita polémica na RTP, já que a redacção entendeu que não deveriam ser entregues imagens em bruto, mas apenas aquelas que foram para o ar nos canais da estação do Estado.
No e-mail, Nuno Santos explica que, nos últimos dias, se desdobrou em reuniões com o Conselho de Redação e a Comissão de Trabalhadores para explicar o sucedido.
«Aos dois órgãos, e no plano da competência de cada um deles, prestei todos os esclarecimentos que me foram pedidos sobre uma hipotética entrega a entidades externas à RTP de imagens não exibidas (vulgarmente denominadas como “brutos”) dos incidentes do passado dia 14 de Novembro em frente ao Parlamento», conta, assegurando que não deu essas imagens à PSP.
«Nessas reuniões garanti – e reafirmo de forma categórica - que nenhuma imagem saiu das instalações da RTP. Respondi de forma clara a todas as questões e apresentei um conjunto de factos complementares entendidos e aceites pelas partes que deram o assunto como encerrado».
O problema, explica Nuno Santos, foi a falta de confiança que sentiu por parte de Alberto da Ponte em todo o processo: «Este processo abalou a relação de confiança com o Conselho de Administração a quem expressei a minha profunda discordância com o clima de suspeição instalado antes mesmo da abertura de qualquer processo de inquérito».
O jornalista, que renunciou ao cargo após 20 meses na Direcção de Informação, explica que a saída foi a única solução para o clima instalado.
«Como líder da equipa entendo que, se não existe confiança na Direção de Informação, devo assumir por inteiro as minhas responsabilidades», escreve, acrescentando que «esta decisão é irreversível».

Administração acusa Informação de dar imagens sem autorização

«Responsáveis da Direção de Informação facultaram a elementos estranhos à empresa, nas instalações da RTP, a visualização de imagens dos incidentes verificados após a manifestação em frente à Assembleia da República, no dia da greve geral», assegura a administração numa nota enviada à redacção a que o SOL teve acesso e na qual Alberto da Ponte assegura que o órgão que lidera «não foi consultado ou sequer informado, nem sobre qualquer pedido, nem sobre a presença de elementos estranhos à empresa, dentro das suas instalações».
A administração da empresa vai mais longe a considera que podem estar em causa ilícitos disciplinares graves, anunciando a abertura de um inquérito.
«Confirmar-se, em sede de inquérito, a ocorrência destes factos, o Conselho de Administração considera que os mesmos consubstanciam uma ação abusiva, uma quebra grave das responsabilidades inerentes à cadeia hierárquica interna da empresa e, inclusive, poder-se-á verificar uma violação dos direitos, liberdades e garantias, com consequências nefastas para a credibilidade e idoneidade na produção informativa da RTP», lê-se na mesma nota.

Fonte: SOL