Vasco Mello, Presidente da Brisa sobre os 40 anos de história da concessionária de auto-estradas.



Correio da Manhã – A Brisa mudou a paisagem de Portugal nos últimos 40 anos. Quais foram os momentos mais significativos da empresa?

Vasco Mello – Claramente a conclusão da ligação Lisboa--Porto, pela A1, em 1991, além da ligação ao Algarve, pela A2, em 2002. Mas deve referir-se, no plano operacional, iniciativas pioneiras, como a criação da Assistência em Viagem, em 1982, ou o início da Via Verde, em 1991. Finalmente, não devemos esquecer dois momentos fundamentais: a adjudicação do contrato de concessão, em 22 de Novembro de 1972 e o processo de privatização entre 1997 e 2001.

– São cada vez menos as pessoas a utilizarem as auto-estradas. Com vai a Brisa reagir a esta tendência?

– Temos que trabalhar no presente para construir o futuro. A Brisa é, em certa medida, um retrato do País e, tal como este, a Brisa tem sido penalizada pelo menor consumo. Temos confiança num Portugal melhor. Estamos a preparar a empresa para um novo ciclo de crescimento, concentrando os esforços na eficiência operacional e no serviço ao cliente.

– O que correu mal nas Parcerias Público-Privadas (PPP)? Existe a possibilidade de corrigir alguns dos efeitos mais negativos?

– O que correu mal nas PPP é que, ao contrário da concessão da Brisa, foram construídas auto-estradas onde não há tráfego que as justifique . É difícil corrigir efeitos negativos, na medida em que as infra-estruturas estão construídas e, agora, é preciso pagá-las e mantê-las. Este caso deve constituir um exemplo do que não deve ser feito, para não se repetir este tipo de erros: sem racionalidade económica e sem estar demonstrada a necessidade não devem fazer-se grandes investimentos.

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