A PSP e a RTP colaboram, há vários anos, na cedência de imagens televisivas, algumas delas em bruto, para a identificação de suspeitos de crimes, e posterior condução dos mesmos perante a justiça.



Segundo sabe o CM trata-se de uma relação que funciona com base na confiança entre profissionais das duas instituições, nunca oficializada ou assumida, e que muitas vezes passa ao lado dos responsáveis da informação dos canais, dizem ao CM fontes ligadas à investigação policial e à RTP.

A colaboração aconteceu na manifestação de 14 de Novembro e consequentes confrontos junto à Assembleia da República e, ao que o CM apurou, os dois DVD com imagens emitidas pela RTP que a PSP assume ter em sua posse serviram para identificar, por exemplo, os autores dos danos nas montras da CGD da avenida D. Carlos I, bem como dos incêndios em vários contentores de lixo. A direcção de informação da RTP mandou gravar em DVD 318 minutos dos confrontos nesse dia.

A PSP já reconheceu, em relatório feito a pedido do Ministro da Administração Interna, ter recebido as imagens da RTP a 16 de Novembro, assim como assume que agentes estiveram na empresa pública, a 15 de Novembro, no dia seguinte à greve geral, como o CM revelou, a visualizar imagens dos confrontos. Face a estes dados, Miguel Macedo pediu ao Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República que emita um parecer sobre a legitimidade da polícia em ter acesso a essas imagens, sem mandados judiciais.

Nos distúrbios do Sporting-Atlético de Madrid da Liga Europa de 2009/10, e no Benfica-FC Porto em Hóquei em Patins, em 2008, as imagens serviram para identificar e deter os autores do incêndio ao autocarro de adeptos do FC Porto.

A PSP já abordou as estações privadas com o mesmo intuito, mas a SIC e a TVI negam ter cedido imagens em bruto à polícia.

CONVERSAS DE BASTIDORES

l O caso das imagens da RTP foi um dos temas de conversa nos bastidores do congresso das Autoridades Reguladoras dos Media do Mediterrâneo, que terminou ontem, em Lisboa. "O assunto despertou muita curiosidade, sobretudo entre os italianos, franceses e malteses", revelou ao CM Carlos Magno, presidente da ERC, acrescentando que as opiniões estiveram divididas. O regulador vai acompanhar o caso e já está a ouvir as partes envolvidas.

LUÍS MARINHO INTERINO

n Luís Marinho, director-geral da RTP, deverá assumir, de forma interina, a pasta de informação. O nome já foi proposto à ERC. Enquanto a mudança não acontece, a equipa de Nuno Santos continua a dirigir a informação.

O CM tentou contactar por diversas vezes Luís Marinho, mas este não atendeu as chamadas nem respondeu às mensagens.

Luís Marinho chegou à RTP em 2001, com Emídio Rangel, e foi subdirector. Dirigiu a rádio pública e, mais tarde, assumiu a direcção de informação. Em 2008, passou para a administração, onde chegou a vetar o nome de Nuno Santos como director de informação. Em 2011, foi escolhido para director-geral. Antes da RTP, esteve na Renascença, TSF, Lusa, integrou a direcção da TVI, e foi editor de Política na SIC.

Luís Marinho foi quem informou a administração da RTP sobre o visionamento das imagens que ocorreu nas instalações da empresa

cm