A execução a tiro de uma mulher de 80 anos, em Coimbra – familiar de um elemento da Polícia Judiciária do Porto – continua envolta em mistério. A PJ tem no terreno todos os inspectores da secção de homicídios, mas até ontem não tinham sido feitas detenções.



Uma pistola semiautomática, de calibre proibido (nove milímetros), foi a arma usada para executar Filomena de Jesus Gonçalves, encontrada quinta--feira na sala de casa, em Coimbra, com o corpo crivado de balas. Este tipo de arma não é sequer legalizável e só pode ser usado pelas forças de segurança. A pistola permitiu fazer 14 disparos seguidos, a maior parte dos quais atingiu a vítima, sobretudo na zona do abdómen.

A PJ continua no terreno , mas desde o início que os inspectores afastaram a hipótese de assalto. A porta de casa não estava arrombada e nada desapareceu. A violência extrema demonstra "muita raiva", o que leva as autoridades a admitirem a tese de vingança.

Ontem, elementos da PJ acompanharam a autópsia, no Instituto de Medicina Legal de Coimbra, e têm vindo a recolher vestígios - em casa da vítima e em carros de familiares. Os vestígios recolhidos foram enviados para o Laboratório de Polícia Científica.

Filomena de Jesus Gonçalves, antiga comerciante do mercado municipal de Coimbra, vivia sozinha na rua António José de Almeida. No dia do crime terá estado a almoçar com a filha e o genro. Após a saída dos familiares, alguns vizinhos ouviram barulhos estranhos. Foi encontrada morta à noite, após alerta da filha e do genro. "É a segunda tragédia na família em meio ano", diz Armelim Gonçalves, irmão da vítima e antigo guarda prisional. O familiar lembra que um outro irmão foi encontrado morto num pinhal, em Tábua, após ter estado 19 dias desaparecido.

cm