Bruno de Almeida fala sobre ‘Operação Outono’, onde defende uma nova tese sobre a morte do general Humberto Delgado. Um filme sobre os tempos da PIDE, já em exibição nos cinemas portugueses .



Correio da Manhã - ‘Operação Outono' parte de ‘Humberto Delgado, Biografia do General sem Medo'. O que lhe despertou o livro?

Bruno de Almeida - O livro é uma biografia completa e eu parti do último capítulo, sobre a operação que levou à morte do general. Entusiasmou-me o facto de esta operação ter sido muito complexa na forma como foi desenhada pela PIDE e também por não se saber - até ao lançamento do livro (2008) -como Delgado de facto foi morto.

- Que foi...?

- Achava-se que tinha sido morto a tiro mas isso é mentira. Ele foi morto à pancada, com um objecto metálico e interessou--me repor toda a verdade.

- Onde mais se documentou?

- O Frederico Delgado Rosa, autor do livro e neto do Humberto Delgado, estudou o caso sete anos e foi consultor histórico do filme. Depois, há muitos livros sobre o caso e falei com historiadores - e até um ex-membro da PIDE -, para ser o máximo fiel à realidade. Até na decoração e guarda-roupa: por exemplo, recriei a sede da PIDE na rua atrás da rua António Maria Cardoso [em Lisboa], que dava para as costas da verdadeira PIDE. E isso deu um tom bem macabro às filmagens [risos].

- Por que escolheu o norte-americano John Ventimiglia para Humberto Delgado?

- Pela semelhança física e pela minha relação [de amizade] com ele. Quando disse à família que escolhi um americano, a Iva Delgado [filha do general] disse-me logo: "O meu pai teria gostado."

- Quem dobrou para português a voz de Ventimiglia?

- Não quero dizer, é segredo.

- Mas não acha que essa dobragem prejudicou o filme?

- A dobragem não está bem. De facto, podia estar melhor mas faltou tempo e dinheiro.

- O fadista Camané entra no filme e tinha pensado num papel para o (recém-falecido) realizador Fernando Lopes...

- Sim, mas o Fernando já estava muito doente na filmagem. E o Camané foi coincidência: quando vi a fotografia do António Semedo, guarda fronteiriço do filme (e na realidade), ele era igual!

- E a música é dos Dead Combo...

- É o som ideal para um thriller.

PERFIL

l BRUNO DE ALMEIDA nasceu há 47 anos em Paris (França), e na década de 1980 iniciou em Lisboa a sua carreira como músico e compositor, dedicando-se ao cinema a partir de 1988. Depois de 22 anos em Nova Iorque, o cineasta regressou a Lisboa e, desde então, já assinou, entre outros, ‘The Lovebirds' (2007) e ‘Bobby Cassidy' (2009).

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