A Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste conseguiu preencher apenas seis de 39 vagas para médicos e continua sem algumas especialidades, mas conseguiu contratar a primeira oncologista que vai evitar deslocações de 200 quilómetros aos doentes da região.



Num momento em que é notícia no País a escassez de médicos oncologistas, o Nordeste Transmontano, onde a falta de especialistas se tornou numa "doença crónica", ganhou a primeira médica nesta área. Os doentes oncológicos desta região são obrigados a deslocações ao Porto ou Vila Real, por falta desta especialidade.

A nova contratação vai "garantir tratamento a nível local todos os dias da semana, que a primeira consulta oncológica seja realizada na região e que não seja obrigatório referenciar estes doentes a mais de 200 quilómetros para definir uma estratégia terapêutica", segundo disse à Lusa o director clínico para os cuidados hospitalares da ULS do Nordeste.

Domingos Fernandes explicou que a especialista trabalhará no hospital de dia de Macedo de Cavaleiros e prestará também consultadoria a todas as especialidades. Fernanda Estevinho manifestou à Lusa convicção de que será possível "melhorar a qualidade de via dos doentes oncológicos" nesta região e que "a maior parte dos tratamentos podem ser realizados localmente".

"Muitas vezes, todo o tratamento pode ser efectuado perto do seu domicílio, desde que haja um médico oncologista que possa estar presente durante a semana e outros meios técnicos que a instituição tem assegurados", declarou.

A jovem médica, de 31 anos, fez o internato no Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto e optou por trabalhar em Bragança, região de onde é natural.

Regressar às origens permite-lhe, segundo disse, "ter melhor qualidade de vida, prestar apoio aos familiares" e, a nível profissional, "iniciar e desenvolver um projecto na área da oncologia.

A percepção que tem é a de que "há algum desconhecimento em relação ao que é o Nordeste, os cuidados que são prestados", o que considerou pesar na dificuldade em atrair especialistas para o interior.

A médica garantiu à Lusa que outros colegas mostraram interesse em trabalhar nesta região, mas havia apenas uma vaga para esta especialidade no concurso que a ULS abriu em Junho.

Já outras especialidades, num total de 17, que a ULS do Nordeste pretendia preencher ou reforçar ficaram sem qualquer candidato.

O quadro clínico com cerca de 200 médicos ganhou mais três cirurgiões, um ortopedista, um oncologista e um especialista de Medicina Interna.

Por preencher ficaram outras vagas, como as abertas para Anatomia Patológica e Dermatologia, especialidades que não existem no Serviço Nacional de Saúde em todo o Nordeste Transmontano.

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