Joana (nome fictício) completou há pouco tempo os 15 anos. Nos últimos três terá sido alvo de abusos sexuais continuados por parte do companheiro da mãe, a quem chama de ‘pai’, na casa onde a família vive, numa freguesia rural do concelho de Silves.



Segundo o CM apurou, o caso foi sinalizado pela Comissão de Protecção a Crianças e Jovens (CPCJ) municipal que, segunda-feira, por razões de segurança, retirou a menor da família. Neste momento, a menina encontra-se numa instituição de acolhimento de crianças e jovens em risco, em Portimão.

A situação de abusos sexuais de que a menor se queixa foi detectada inicialmente no estabelecimento de ensino que a menina frequenta. A menor contou tudo a uma professora, que deu o alerta, tendo as técnicas da CPCJ e assistência social tomado o assunto em mãos. Os abusos por parte do padrasto, com idade na casa dos 40 anos, terão começado ainda antes de Joana ter completado os 12 anos. Pela descrição da menina, os abusos envolveram relações sexuais completas.

O homem aproveitaria o facto de a mulher, mãe da menor – empregada de limpeza em Silves – ficar por vezes a dormir em casa de familiares, para cometer os abusos, apurou o CM junto de fonte próxima do processo.

Depois de terem conhecimento da queixa, os responsáveis da escola convocaram a mãe da menor para uma reunião no estabelecimento de ensino, onde lhe deram conta da situação. Desde então, a menina foi retirada da família. Continua, no entanto, a frequentar as aulas.

Confrontado com as acusações da ‘filha’, o indivíduo, que continua em liberdade, negou a prática dos abusos sexuais continuados da menor. Terá, contudo, admitido à autori-dades que abusou da menina "uma única vez". O caso foi comunicado ao Ministério Público de Silves e está a ser investigado pela Polícia Judiciária.

"NÃO QUERIA QUE A MENINA SAÍSSE NEM USASSE SAIA"

"Ele não queria que a menina saísse , nem que usasse saias ou biquíni", disse ontem ao CM, sob anonimato, uma fonte próxima da menor, segundo a qual o padrasto e alegado abusador tinha ainda outras atitudes consideradas ‘suspeitas’: "Ele era muitas vezes visto a rondar a escola que a criança frequen-ta e chegava mesmo a espiá-la pelo gradeamento, uma situação que chamou a atenção do estabelecimento de ensino, que foi quem despoletou toda esta situação."

cm