Dois dias depois de o presidente egípcio Mohamed Mursi ter anunciado que assumia poderes quase ilimitados, que não só o blindam de qualquer voz discordante como lhe dão a última palavra sobre a nova Constituição, a fragmentada oposição egípcia encontrou denomi-nador comum na guerra aberta ao que afirma ser a prepotência do sucessor de Hosni Mubarak.



E, enquanto os partidários da Irmandade Muçulmana – a poderosa organização islamista a que pertence o presidente – se reuniam num dos palácios presidenciais a celebrar a fidelidade ao chefe de Estado, edifícios do Partido da Liberdade e Justiça, braço político da Irmandade, foram vandalizados e incendiados, no Cairo e em Alexandria, cidade que é o bastião de grupos islamistas.

A revolta surgiu após a declaração de poder por parte de Mursi, que converte em "inapeláveis" todas as leis e resoluções tomadas desde a sua chegada ao poder e até à entrada em vigor da nova Magna Carta, que está a ser redigida no Parlamento.

"Um autêntico golpe de Estado" é como os líderes da oposição estão a classificar a resolução de Mohamed Mursi, vendo nela uma séria ameaça à já de si controversa mudança democrática no Egipto. "Mursi usurpou todos os poderes do Estado e declarou-se o novo faraó", acusou , via Twitter, o Nobel da Paz Mohamed Baradei.

O presidente respondeu afirmando que cumpre o "dever de satisfazer Deus e a nação" e que tem um plano claro para a vitória.

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