Os disparos que mataram uma mulher de 80 anos, em Coimbra, terão sido feitos a média distância e não à queima-roupa. Filomena Gonçalves, antiga comerciante, pode nem sequer ter visto o homicida e provavelmente nem se apercebeu de que estava a ser atacada. O autor terá entrado em casa da idosa e quando estava a média distância disparou a pistola semiautomática, de calibre proibido (nove milímetros) sobre a vítima. Dos 14 tiros disparados, 13 atingiram-na.



A conclusão afasta assim a ideia de que Filomena Gonçalves terá aberto a porta ao autor do crime. Os inspectores da PJ continuavam ontem no terreno, mas até à hora de fecho desta edição não tinham sido feitas detenções. Os elementos reunidos até ao momento apontam para que o autor possa ser uma pessoa próxima da vítima, atendendo à violência extrema usada, reveladora de "muita raiva".

O funeral de Filomena Gonçalves realizou-se ontem no cemitério da Conchada. Num misto de dor e revolta, amigos e familiares estavam incrédulos com a "brutalidade" do crime. "O que lhe aconteceu foi macabro. Não merecia isto. Quem o fez tem de pagar", referia uma amiga da vítima.

De lágrimas nos olhos e rostos carregados de dor, várias dezenas de amigos e familiares acompanharam o cortejo fúnebre. À frente seguiam elementos dos Bombeiros de Brasfemes, corporação onde o sobrinho, Rui Gonçalves, exerce o cargo de adjunto de comando. Logo atrás estavam os familiares, visivelmente consternados. No momento em que o corpo desceu à terra houve soluços e lágrimas.

Vários comerciantes do mercado municipal de Coimbra, onde Filomena Gonçalves teve um talho, juntaram-se também aos familiares para prestarem a última homenagem à idosa.

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