As mulheres atingidas pelo cancro têm agora fortes probabilidades de virem a ser mães mesmo após o tratamento com quimioterapia, que frequentemente leva à destruição dos ovários. Uma técnica que tem sido aplicada no Serviço de Reprodução Humana, no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, permite "proteger a fertilidade dessas doentes através da preservação de óvulos, embriões ou tecido ovárico", explica Teresa Almeida Santos, directora do Serviço de Reprodução Humana.



Os óvulos ou os embriões são retirados e congelados. Após a conclusão do tratamento oncológico – e decorrido o tempo necessário que permita concluir que a pessoa está curada – são descongelados e fecundados com espermatozóides em laboratório. No caso do tecido ovárico é igualmente descongelado e transplantado para o ovário.

Numa altura em que as mulheres adiam a maternidade, há mais probabilidades de virem a sofrer de uma doença oncológica numa idade em que ainda não tiveram filhos, sendo fundamentais as medidas para a preservação da fertilidade. Por outro lado, diz a especialista, os cancros "têm, cada vez mais, boas taxas de sucesso, havendo também mais pessoas que sobrevivem e querem retomar a sua vida normal".

A técnica é desenvolvida desde 2009, mas mais intensivamente no último ano e meio. Já foi realizada em 30 pacientes. Algumas chegam demasiado tarde. Teresa Almeida Santos alerta para a necessidade de referenciar as doentes antes do início do tratamento de quimioterapia.

O MEU CASO: FILIPA

"UMA LUZ AO FUNDO DO TÚNEL"

Foi um duplo choque. Primeiro a notícia de que tinha cancro da mama e depois que o tratamento de quimioterapia iria colocar em risco a sua fertilidade. Filipa tem 30 anos e a maternidade faz parte do seu projecto de vida: "Ninguém está à espera de notícias destas, muito menos quando se tem esta idade." Inicialmente perdeu a esperança, até que o ginecologista a encaminhou para o Serviço de Reprodução Humana, em Coimbra. "Foi uma luz ao fundo do túnel", refere Filipa, que reside no Norte do País. Mais animada, diz que "é menos uma pedra no caminho" que tem agora pela frente. A primeira consulta foi no final de Outubro e ontem foi submetida a cirurgia.

DISCURSO DIRECTO

"TRATAMENTO É MUITO CARO", Teresa Almeida Santos, Serv. Reprodução Humana

CM – O Serviço tem 27 anos. Quantos bebés nasceram?

Teresa Almeida Santos – Ronda um milhar de crianças que nasceram fruto das técnicas que aplicamos. Tratámos cerca de cinco mil casais.

– A procura tem aumentado?

– Cresceu nos últimos cinco anos, mas agora há menos devido à crise. O tratamento é caro, mesmo comparticipados a 69%.

CONSULTÓRIO CM: MEDICINA DENTÁRIA

UMA HIGIENE ORAL CUIDADA EVITA PROBLEMAS DE FUTURO, Por Dr. José Pedro Jacinto

Tenho as gengivas inchadas. Devo lavar os dentes delicadamente para evitar o sangramento?, Marta Resende, Marvila

Muitas vezes o sangramento ou a inflamação das gengivas está relacionado com a doença periodontal, gengivite, que se forma devido à acumulação de placa bacteriana ao redor dos dentes e da gengiva. Nestes casos é aconselhado um cuidado mais rigoroso com a higienização, nomeadamente, a escovagem e a utilização de fio dentário, ambos fundamentais para a eliminação da placa bacteriana e prevenção de outras doenças. Quando a gengivite não é tratada atempadamente pode evoluir para a periodontite, mais grave, que pode levar à perda de dentes.

Com que idade devem as crianças iniciar a sua higiene oral?, Sónia Saramago, Vendas Novas

A higiene oral das crianças deve iniciar-se logo após a erupção do primeiro dente, e é a altura ideal para fazer a primeira visita ao dentista, ou, no máximo, até a criança completar o primeiro ano, de modo a ser estabelecido um programa preventivo de saúde oral ou a interceptar hábitos que possam ser prejudiciais. Esta primeira visita serve também para explicar aos pais métodos ideais de higienização.

O branqueamento tem contra-indicações?, Bernardo Guerreiro, Mondim de Basto

Não existem estudos científicos que comprovem a existência de contra-indicações para o branqueamento dentário. Por precaução deve evitar-se o tratamento em mulheres grávidas.

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