Violações de crianças e agressões com x-atos chocam polícia no hospital

Sempre que o chefe do posto da PSP no Hospital Amadora-Sintra diz que já viu de tudo, arrepende-se.
A violação de crianças de tenra idade pelos pais e as agressões com x-atos são os casos que mais o chocam. Ao serviço desde que o hospital entrou em funcionamento, há 17 anos, o chefe Luís Martins foi sendo surpreendido com situações que não esperava e que o perturbaram.
“Os casos que mais me afligem são os maus tratos a menores e, acima de tudo, de crianças com três ou quatro anos violadas pelo próprio pai. Choca qualquer pessoa”, disse à agência Lusa.
São casos de polícia e que, por isso, são de registo obrigatório, tal como agressões com arma branca ou de fogo, mas também intoxicações, acidentes de trânsito e de trabalho, queimaduras, tentativas de suicídio, violação ou tentativa.
As agressões com x-ato são das que mais impressionam estes profissionais que convivem fardados entre batas de médicos e enfermeiros, garantindo a ordem e tentando encaminhar os casos de polícia.
“O x-ato é uma arma que está a ser usada por jovens de zonas sensíveis da área da Amadora, que não têm problemas em agredir-se mutuamente com esta arma, que provoca golpes profundos”, explicou.
A polícia tem igualmente constatado “bastantes entradas de pessoas agredidas por armas de fogo, que resultam de trocas de tiros entre grupos”.
Luís Martins conhece esta instituição como a sua casa e quando percorre os seus labirínticos corredores recebe sempre animados cumprimentos dos profissionais de saúde.
Estes são, aliás, motivo de outra crescente preocupação, tendo em conta que são cada vez mais vítimas de agressões dos utentes.
“Gostava de estar presente no momento exato em que o utente ou o acompanhante levanta a mão, mas isso não é, infelizmente, possível”, disse à agência Lusa.
E se há alguns anos o utente tinha um “imenso respeito pelo médico, porque sabia que este o ia tratar, este foi sendo cada vez menos respeitado”.
“As pessoas têm cada vez menos respeito pelos médicos. Foi-se perdendo”, disse.
Às urgências deste hospital chegam casos cada vez mais graves, alguns dos quais continuam a surpreender o chefe Luís Martins e a sua equipa de sete agentes da PSP.
“Ao longo destes 17 anos, houve situações que não estávamos à espera e às quais nos fomos habituando, como os crescentes casos de violência doméstica.
Em alguns casos, “só a presença da farda faz com que as coisas acalmem”, afirma Luís Martins, que se assume como um “gestor de conflitos e tensões”.
Mas há outras situações, “fruto de uma violência gratuita e sem explicação, em que a presença da polícia até agudiza” a agressividade, disse.
A crise tem a sua quota parte no agravamento destes casos e da intolerância dos utentes e seus acompanhantes.
“As pessoas, mercê da vida que têm lá fora, não se coíbem de provocar e partir para o insulto, às vezes até contra os profissionais de segurança”, afirmou.
Tolerância e paciência são as armas que este agente da autoridade usa e recomenda, até porque não tem dúvidas que, sem elas, não é possível gerir uma área tão complicada como a segurança de um hospital com uma área de influência de 700 mil habitantes.

Fonte: Lusa / SOL