Um homem totalmente dominado por um ímpeto assassino executou sábado, à queima-roupa, o presidente da cidade de Jussiape, no sudoeste do estado brasileiro da Bahia, a mulher do autarca e o director de uma empresa do estado antes de ser morto pela polícia.



A matança chocou e deixou em alvoroço a pequena cidade, que neste domingo compareceu em peso ao funeral do autarca, que também era um médico muito querido na região, por atender de graça quem não podia pagar a consulta.

O atirador, Claudionor Galvão de Oliveira, dono de um quiosque de bebidas numa praça do centro da cidade, cometeu os crimes com uma espingarda e um revólver calibre 32. Pela grande quantidade de munição que tinha nos bolsos ao ser morto, a polícia acredita que o atirador pretendia matar mais pessoas.

O primeiro a morrer foi o presidente da câmara, Procópio Alencar, que tinha sido reeleito em Outubro para um novo mandato de quatro anos com 58% dos votos. O assassino entrou no consultório do autarca e fuzilou-o à queima-roupa.

Jandira de Oliveira Alencar, mulher do presidente da câmara, morreu pouco depois e a poucos metros do consultório do marido, para onde se dirigia. Claudionor, ao cruzar com ela na rua, disparou e matou-a instantaneamente.

A terceira vítima fatal do atirador foi Ordelange Novaes, director da Empresa Baiana de Águas e Saneamento, Embasa. Estava sentado num bar da mesma rua e foi mortalmente atingido antes de poder proteger-se.

Cercado pouco depois pelos dois únicos polícias da cidade, o criminoso travou com uma dura batalha à bala até ser mortalmente ferido. Usando um mototaxista como escudo, Claudionor tentou matar os dois soldados da Polícia Militar, ferindo um gravemente na cabeça e o outro numa perna, mas acabou por ser abatido.

Segundo o inspector Edson Santos de Souza, que foi chamado da cidade vizinha, Livramento de Nossa Senhora, para investigar o caso, ainda não estão completamente esclarecidos os motivos da matança, mas as primeiras informações dão conta de que pode ter sido um atentado político, porque Claudionor visou autoridades. A hipótese é reforçada pelo testemunho do presidente da Assembleia Municipal da cidade, Gilberto Freitas, a quem Claudionor procurou em casa, de armas em punho, antes de matar o presidente da câmara, mas Gilberto conseguiu escapar trancando-se numa divisão da residência.

A matança teve grande repercussão, de tal forma que as maiores autoridades da Bahia foram para Jussiape para se inteirarem detalhadamente do caso. Entre elas o governador da Bahia, Jacques Wagner, o secretário de Segurança Pública, Maurício Barbosa, o director-geral da Polícia Judiciária, Hélio Jorge, e o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Alfredo Castro.

cm