Os eleitores deram ontem um ‘sim’ expressivo ao nacionalismo nas eleições autonómicas antecipadas da Catalunha, mas a Convergência e União (CiU), coligação de Artur Mas, ficou longe da desejada maioria absoluta. Reeleito presidente do governo autonómico, mas com menos votos que em 2010, Mas viu um cartão amarelo dos eleitores ao seu projecto soberanista que, para ir por diante, tem agora de pactuar com a versão separatista radical da Esquerda Republicana (ERC).



Ao contrário da CiU, que voltou a ser a força mais votada, mas perdeu doze deputados (de 62 passa para 50, a 18 da maioria absoluta), o partido de Oriol Junqueras duplicou a representação no Parlamento catalão (21 em vez de dez deputados), tornando-se a segunda maior força política regional, à frente dos socialistas do PSC (20, menos oito do que em 2010) e do PP catalão (19, mais um do que em 2010).

Este facto pode significar que o referendo à soberania da Catalunha será realizado já em 2014, como defende Junqueras, e não nos próximos quatro anos, como vagamente referia Mas. Acresce que o presidente do governo catalão poderá ter ainda de resignar-se a usar nos boletins de voto da consulta popular o termo independência, que até agora sempre evitou.

A aliança nacionalista da próxima legislatura será ainda reforçada pela CUP (Candidatura de Unidade Popular), partido com grande implantação municipal, que agora elege três deputados, e pelos verdes da ICV, nacionalistas moderados que poderão apoiar o referendo soberanista desejado por Mas e pela ERC.

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