Antes de Norberto Louro, 45 anos, ser colhido por um carro, em Maio, ao passar numa rotunda de bicicleta, em Gambelas, Faro, "era atencioso e responsável", conta a mulher, Ana Salgueiro, de 54 anos. Contudo, depois do traumatismo cranioencefálico que sofreu, os carinhos deram lugar a socos e pontapés, deixou de tomar banho e começou a fumar canábis.



"Disse que me punha numa cadeira de rodas", foi a última ameaça, que levou à fuga da mulher para casa de uma amiga, na semana passada. Ana, vítima de violência doméstica desde que o marido sofreu o acidente, garante que a situação está descontrolada e diz que "o Hospital de Faro, onde ele esteve três vezes, recusa voltar a inter-ná-lo". O caso junta-se a outros, noticiados pelo CM, de famílias da região que não conseguem internamentos em Psiquiatria.

Ana Salgueiro, entretanto, regressou a casa, mas receia ter uma "bomba-relógio" nas mãos: "O hospital acha que não se justifica o internamento, mas tenho muito medo", admite. Não foi possível falar com Norberto Louro.

PAI DE TOXICODEPENDENTE DIZ QUE JÁ ESPERA UMA TRAGÉDIA

A família de Carlos Serôdio, 38 anos, não encontra forma de o internar e está desesperada. Tal como o CM noticiou, o homem é toxicodependente e, recentemente, passou também a consumir drogas legais, vendidas em smartshops. Além de já ter destruído a casa onde vivia, em Albufeira, insulta os pais, rouba-os e chegou a cortar a roupa que tinha vestida.

"Já fui ao Ministério Público e dizem que não podem fazer nada. Fui ao centro de saúde e os médicos mandam-me para a GNR. Chego à GNR, dizem-me que não podem fazer nada. Ele vai para a Psiquiatria e mandam-no embora ou foge", descreve o pai, Abel Serôdio, que já espera uma tragédia.

SÓ OS HOSPITAIS DE PORTIMÃO E FARO SÃO OPÇÃO

Contactada pelo CM, a Administração Regional de Saúde do Algarve explica que, na região, apenas "o Hospital de Faro e o Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio têm departamentos de Psiquiatria" para responder a casos com o de Norberto Louro. E que, estando a situação clínica "a ser acompanhada em Faro, é aí que a família deve recorrer ou pedir esclarecimentos", acrescenta a ARS Algarve. Já o Hospital de Faro recusa comentar o caso, embora assegure que "dispõe de instalações e recursos adequados a diversos níveis de internamento, mediante criteriosa avaliação". Sobre o tempo máximo de um internamento na Psiquiatria, o HdF esclarece que tal é determinado em função da "evolução clínica individual."

cm