Liliana Godinho, 60 anos, residente em Olhão, sofre de cegueira quase total e necessita de consultas regulares, em Lisboa. Durante anos, teve direito a transporte gratuito mas agora retiraram-lhe esse apoio.



"Desde sempre tive deslocações gratuitas para as consultas e agora a minha médica de família disse que já não pode passar as guias de transporte", explicou ao CM Liliana que, por precisar de viajar acompanhada, terá de pagar 84 euros em cada viagem de comboio. "Recebo uma reforma de 400 euros. Não consigo suportar as deslocações", lamenta.

Aos 12 anos, uma febre reumática deixou Liliana com uveite – doença que lhe afecta a úvea dos dois olhos e lhe retirou quase toda a visão. Hoje em dia, após várias cirurgias, incluindo um transplante de córnea, já consegue ver vultos. Contudo, precisa de consultas regulares no Instituto Gama Pinto, em Lisboa, para monitorizar o estado dos olhos e evitar que piore.

Contactada pelo CM, a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve explicou que, em despacho de Junho, o Governo estabeleceu que "a prescrição do transporte é da exclusiva competência do médico assistente", por isso, a "entidade responsável pela requisição e pagamento é, neste caso, o Instituto Gama Pinto". A ARS acrescenta que a isenção de encargos, no transporte de doentes não urgentes, tem de ser acompanhada por "comprovação de insuficiência económica". E o Instituto Gama Pinto garantiu que suporta os custos aos doentes que apresentem esse comprovativo.

Liliana diz que tal nunca lhe foi pedido e que o instituto só lhe disse que teria de começar a pagar as viagens. Entretanto, após os contactos do CM, Liliana foi informada, pelo Centro de Saúde, que teria, hoje, uma ambulância para a levar, gratuitamente, à consulta.

cm