Um juiz de instrução criminal de Chaves negou fazer escutas ao padre Fernando Guerra, que está a ser investigado por branqueamento de capitais. Depois de a PJ de Vila Real ter percebido que o padre tinha uma verdadeira fortuna – pelo menos até 2010, movimentou cinco milhões de euros – os inspectores solicitaram ao magistrado que o sacerdote fosse alvo de escutas, para tentar interceptar alguma conversa em que aquele revelasse a origem do dinheiro. Mas o juiz não aceitou.



O trabalho dos inspectores ficou mais dificultado, já que o padre Fernando Guerra, 77 anos, terá usado as comissões fabriqueiras de várias paróquias, entre as quais de Canedo e Covas do Barroso, para esconder o rasto do dinheiro. Além disso, o sacerdote tem várias contas bancárias, entre as quais vai transferindo as quantias milionárias.

No inquérito, consta já uma perícia fiscal, que foi feita pelas Finanças, por suspeitas de fraude, uma vez que o sacerdote não declarou grande parte da fortuna que possui. Os indícios de fuga ao Fisco serão separados do processo principal – que terá de estar até dia 10 de Dezembro nas mãos do procurador de Chaves – e estão a ser investigados autonomamente.

Confrontado pelo CM à saída da missa em Viade, Montalegre, anteontem, Fernando Guerra desviou sempre a conversa quando questionado sobre a inquirição na PJ. "Têm de provar o que dizem", afirmou. O sacerdote recusou falar sobre o seu vasto património imobiliário – tem 33 propriedades em Montalegre, sete casas em Chaves e duas em Boticas. "Tenho umas coisas que herdei, nada mais", contou, após ter passado a homilia a refutar as suspeitas. "Quem celebra aqui a missa sou eu. O bispo antes de ser bispo tem de ser homem para me mandar embora", disse.

cm