Amigo de infância confirma agressividade do 'estripador'

Um amigo de infância de José Guedes, o alegado ‘estripador de Lisboa’ cujo julgamento foi hoje retomado no Tribunal de Aveiro, confirmou na audiência desta manhã a agressividade do arguido.
O Tribunal ainda não decidiu se autoriza a realização de uma terceira perícia ao arguido (que está a ser julgado por homicídio de uma mulher, em 2000), mas aceitou, entretanto, a junção ao processo de um exemplar do livro Jack, o Estripador e fotos de fábricas de Estarreja, apresentados pela defesa. «Quanto à nova perícia requerida, bem como à audição de uma testemunha/perito [Barra da Costa], a pertinência da promoção dessas provas irá ser avaliada à medida que vá decorrendo a prova ainda a produzir», anunciou o juiz-presidente do tribunal, Vítor Azevedo Soares.
Agressões e planos de morte no Colégio dos Carvalhos
Henrique José Carvalho dos Reis, de 47 anos e residente no Porto, afirmou hoje, em depoimento prestado por videoconferência, que José Guedes «era uma pessoa muito violenta e agressiva» na infância – confirmando, assim, declarações feitas há um ano ao SOL, à jornalista Felícia Cabrita.
Amigo de José Guedes na antiga Escola de Artes e de Ofícios dos Carvalhos (o Colégio dos Carvalhos, em Vila Nova de Gaia), Henrique Reis revelou que o arguido terá então planeado o assassínio de um vigilante da escola, chamado Fernando, mas conhecido pela alcunha de ‘Carrasco’.
«A sorte dele foi não ter ido lá nessa noite, se não tinha desaparecido», afirmou. «Era um revoltado. De uma vez, deu-me com o ferro de uma baliza. E tinha sempre intenções de agressão às mulheres em geral, referindo-as como ‘aquelas p…’. A primeira coisa que ele fez quando saiu do colégio foi comprar uma faca, uma navalha grande. De uma vez, até ma apontou várias vezes à face e eu sentia a navalha» - acrescentou Henrique Reis, recentemente libertado da prisão, após cumprir uma pena de cinco anos e meio por tráfico de droga no Porto.
«Ele uma vez agrediu de noite na casa de banho um rapaz deficiente, o ‘Chanquinhas’, até ele desmaiar, segundo me disseram no colégio», disse ainda Henrique Reis. Recordando a infância de ambos no colégio, a testemunha explicou que «os educadores no Colégio dos Carvalhos eram realmente militares que tinham vindo da guerra colonial e que iam para lá fazer serviços, aquilo funcionava mais como uma prisão». «Na altura, éramos cerca de 500 pessoas, órfãos e os mais pobres da cidade do Porto», recordou a testemunha.

Fonte: SOL