Não sei porque é que não parei [de esfaquear]. Foi muito rápido. Quando na Polícia Judiciária me disseram o número das facadas, eu não acreditava que tinham sido 28." A declaração é de Miguel Cadilhe, o jovem de 20 anos que confessou ontem no Tribunal de Vila do Conde ter assassinado o pai, campeão de póquer, no ano passado, para evitar ouvir um sermão.



O arguido, acusado de homicídio qualificado, disse ainda que não planeou o crime mas que apagou todos os vestígios ao simular um roubo e ao ter incendiado a casa de Manuel Cadilhe, de 49 anos.

Na primeira sessão do julgamento, Miguel Cadilhe, que esteve sempre nervoso e cabisbaixo, contou tudo. Confessou que matou com facadas o pai, que trabalhava em Angola, na noite em que tinha combinado ir dormir a casa daquele para ouvir uma repreensão. "Tive um acidente de mota sete meses antes, onde parti os dois braços. Os meus amigos tiraram-me fotos no hospital e meteram no Facebook. O meu pai viu e ligou-me. Disse-lhe que vendi o carro, que me tinha dado, para comprar a mota e ele deixou de responder aos meus e-mails", começou por contar o jovem.

"O meu pai ia ficando cada vez mais furioso quando eu tentava justificar e insultou-me", contou. Na discussão, e depois de ter bebido uísque, Miguel pegou numa faca de cozinha. "Só me lembro que fui ter com ele à cama, rebolámos e caímos no chão. Vi que não se mexia, entrei em pânico e chorei. Depois só queria sair dali e não deixar vestígio nenhum", lembrou.

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