Estendido no chão da cozinha, com a zona do tórax já carbonizada. Foi assim que o cadáver de Celeste Maria Duarte Raio, de 85 anos, foi encontrado, anteontem ao final da tarde, pelas 18h30, na vivenda onde vivia sozinha na Várzea de Sintra.



Apesar de o corpo da ex--professora do 1º Ciclo, viúva, estar queimado e um dos bicos do fogão estar aberto, não havia outros sinais visíveis de fogo na divisão. A hipótese de homicídio está a ser investigada pela PJ.

Os investigadores de incêndios, perante algumas circunstâncias consideradas estranhas, accionaram a secção de homicídios da Judiciária – que fez perícias ao cadáver e à casa durante horas. Há suspeitas de que possa ter sido um produto acelerante a causar as queimaduras mortais.

A notícia chocou os habitantes da Várzea – Celeste Raio, professora reformada, "dava-se bem com toda a gente e, como tinha posses, ajudava a freguesia", comentavam os vizinhos, ontem de manhã, ao passarem pela imponente moradia onde a vítima foi encontrada sem vida.

"Foi uma morte muito trágica, mas não acredito que alguém lhe quisesse fazer mal. Apesar disso, é muito estranho como só o corpo dela ardeu. É um choque, a Celeste não merecia morrer assim", disse ontem ao CM Deolinda Pedroso, cunhada da vítima mortal. Celeste tinha uma filha adoptiva, Nini, com cerca de 50 anos, que não conseguiu contactar a idosa durante todo o dia e alertou as autoridades.

"A Nini ligou-lhe, a mãe não atendeu. Ainda tentou entrar em casa, mas a Celeste trancava sempre a porta", disse Deolinda. A notícia da morte correu depressa mal o forte aparato policial se juntou em redor da vivenda O Casarão, no centro da localidade. O corpo da vítima foi levado para autópsia – essencial para apurar as circunstâncias que levaram à morte de Celeste Raio.

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