No posto da GNR de Vagos já todos tinham percebido que o soldado Manuel Pousa andava diferente, mas ninguém imaginava que, na manhã de 11 de Maio de 2011, quando se encontrava de folga, o soldado disparasse sobre uma carrinha onde estavam três trabalhadores que conseguiram escapar ilesos. O GNR começou a ser julgado ontem: foi declarado inimputável, através de relatório médico, por se encontrar descompensado na altura dos incidentes, e faltou à audiência por já estar internado.

Face ao relatório clínico, o MP limitou-se a pedir ao Tribunal de Vagos o internamento compulsivo de Manuel Pousa, de 35 anos, acusado de tentativa de homicídio. Já as três vítimas, operários da construção civil, exigem indemnizações por danos morais, que ultrapassam os 15 mil euros.

Ao tribunal, os trabalhadores explicaram que foram abordados por um homem que vestia um sobretudo e calções e pediu a identificação do condutor. "O meu colega disse que não lhe dava nada, e, em resposta, ele encostou-me a pistola ao pescoço. Pensei mesmo que ia morrer", recordou Tiago Almeida, que seguia no lugar do pendura.

Manuel Pousa disparou o primeiro de três tiros, acertando na coluna de direcção da carrinha. "Entrei em pânico e arranquei para fugir dali", afirmou o condutor António Ferreira. Manuel Pousa fez ainda, pelo menos, mais três disparos, estilhaçando o vidro traseiro da viatura.

O militar faz agora serviços de jardinagem na Figueira da Foz e não tem acesso a armas.

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