Bruxelas veio ontem desmentir o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, ao afirmar que ainda é cedo para fazer contas à poupança que Portugal pode encaixar com as alterações às regras do acordo de resgate grego. "É algo que está a ser analisado", avança fonte da Comissão Europeia. Se Portugal tiver de facto a mesma revisão de regras da Grécia, pode poupar 26 milhões de euros por ano. O prazo também é alargado e durante uma década o pagamento anual de 800 milhões de euros em juros ficaria adiado.

"Mas ainda é muito cedo para fazermos contas", explica ao Correio da Manhã Filipe Silva, analista de mercados do Banco Carregosa. "Se tivermos exactamente as mesmas condições que a Grécia, isso implica que estamos tão mal como eles, o que não é verdade. Por isso temos de esperar para ver o que o Eurogrupo vai decidir aliviar ao resgate português", justifica. Qualquer medida de alívio do resgate financeiro a Portugal só se aplicará a um terço dos 78 mil milhões de euros, ou seja, 26 mil milhões de euros, que é a parcela do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF). A parcela do FMI está fora porque, segundo a organização, as "condições dadas a Portugal já são muito favoráveis" e o fundo da UE resultante do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira ainda não foi debatido.

Os principais banqueiros do País consideraram positivo um alívio das exigências. "Seria muito positivo" alargar o prazo do empréstimo a Portugal, defendeu Faria de Oliveira.

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