Os partidos que apoiam o governo no Congresso brasileiro impediram ontem que a oposição convocasse altos funcionários ligados à presidência da República acusados de corrupção. Os opositores queriam questionar os suspeitos, já demitidos por Dilma Rousseff, sobre as fraudes e eventuais ligações ao ex-presidente Lula da Silva.

Deputados e senadores governamentais, que constituem a maioria no Congresso, impediram a votação das várias convocações que a oposição tentou, alegando que o caso já estava no foro certo, ou seja na Polícia Federal, e concordaram apenas em convidar o ministro da Justiça para falar sobre o caso na semana que vem.

Entre outros, a oposição queria convocar Rosemary Nóvoa de Noronha, ex-chefe de gabinete da presidência em São Paulo, classificada na investigação como uma das chefes da rede de corrupção, que se aproveitava dos altos cargos para adulterar pareceres a favor de grandes empresários em troca de avultadas somas em dinheiro e outros benefícios.

Soube-se, entretanto, que a investigação sobre Rosemary já tem mais de 600 páginas e que ela é, de facto, a principal ligação dos funcionários com Lula, que nomeou ou indicou a maioria para os cargos. Rosemary é tão próxima do ex-presidente que o acompanhou em 24 viagens ao estrangeiro e mantinha com ele contactos diários, mesmo após deixar a presidência. A polícia, que colocou o telefone da suspeita sob escuta, gravou 122 telefonemas.

cm