Passos Coelho mandou silenciar qualquer reacção do Governo à carta que lhe foi dirigida por Mário Soares e mais 69 personalidades, em que se exige uma mudança de política ou a demissão do primeiro-ministro.



Na carta, lê-se que as 70 personalidades consideram "o crescente clamor que contra o Governo se ergue como uma exigência, para que o Senhor Primeiro-Ministro altere, urgentemente, as opções políticas". Caso assim não faça, acrescentam, Passos Coelho deve "retirar as consequências políticas que se impõem, apresentando a demissão ao Senhor Presidente da República".

A intenção do Governo foi de desvalorizar a missiva, com a resposta a ser dada apenas ao nível partidário, pelo líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro. Segundo Montenegro, "o doutor Mário Soares tem um problema: é que se defender os caminhos que protagonizou como primeiro-ministro em situações análogas, terá de apresentar as mesmas ideias do Governo" porque este actua "muito em semelhança com aquilo que foi feito entre 1983 e 1985".

Montenegro diz que não estranha que a "maioria dos subscritores" da carta estejam "defraudados pelos caminhos deste Governo". Isto porque, adianta, são "dirigentes, deputados, militantes, de partidos da oposição, em particular do PS" e "foram cúmplices do caminho que os Governos anteriores, liderados pelo engenheiro José Sócrates, foram percorrendo".

Entre os signatários, contam-se também professores e intelectuais, como Adelino Maltez e Medeiros Ferreira, sindicalistas como Carvalho da Silva, ou militares como Lemos Ferreira.

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