A Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) reagiu nesta quarta-feira, com estupefacção, às declarações do primeiro-ministro sobre o financiamento da educação, desafiando o Governo a dizer se quer acabar com o Estado social.



"A cada dia que passa, de cada vez que o primeiro-ministro surge na Comunicação Social, estamos sempre à espera de mais qualquer coisa para empobrecer as famílias", disse à agência Lusa Isabel Gregório, da CNIPE.

A CNIPE questiona onde ficarão os princípios da gratuitidade, universalidade do ensino público e da escolaridade obrigatória se as famílias tiverem de pagar propinas para ter os filhos na escola.

"Por um lado, tentam colmatar a fome nas escolas e depois cobram?", questionou Isabel Gregório, insistindo: "Ainda gostaria de perceber o que o Governo quer fazer com os nossos filhos".

"Quando desinvestimos na educação, estamos a hipotecar as gerações futuras. Um povo sem educação, sem cultura, é um povo alienado, quase como animais irracionais", ilustrou.

O primeiro-ministro, Padro Passos Coelho, defendeu na quarta-feira, durante uma entrevista à TVI, que a reforma do Estado tem de rever as despesas com pensões, saúde e educação, considerando que, neste último sector, há margem constitucional para um maior financiamento por parte dos cidadãos.

Para a CNIPE, ficam muitas perguntas em aberto, às quais o primeiro-ministro e o ministro da Educação, Nuno Crato, têm de responder.

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