A greve dos estivadores às horas extraordinárias, que dura há três meses nos portos de Lisboa, Setúbal, Figueira da Foz e Aveiro, custou já ao País cerca de 1,2 mil milhões de euros.



A estimativa foi avançada ontem no Parlamento pelo ministro da Economia, segundo o qual o custo da greve ronda os 400 milhões de euros/mês. Álvaro Santos Pereira respondia aos deputados no plenário de que resultou a aprovação na generalidade da nova lei dos portos, com os votos da maioria (PSD e CDS-PP) e também do PS.

O PCP, o BE e Os Verdes votaram contra a proposta, que foi muito contestada no exterior do Parlamento por várias centenas de estivadores de todo o País e de mais oito países. Os estivadores contestam a nova lei, que acusam de ir provocar "desemprego e precariedade", como referiu Vítor Dias, líder do Sindicato dos Estivadores do Centro e Sul, na sua intervenção frente ao Parlamento.

Apesar de reconhecer que "as exportações abrandaram" nos últimos meses, no plenário, o ministro da Economia não deixou de salientar, porém, que a greve dos estivadores levou a que o porto de Lisboa tenha perdido seis por cento do seu volume de actividade só no mês de Outubro. Segundo Álvaro Santos Pereira, a nova lei visa criar condições para que a economia portuguesa se torne "mais competitiva". Para isso, o ministro adiantou que a intenção do Governo é baixar os custos portuários "entre 25 a 30%", mas que a nova lei "salvaguarda os direitos dos trabalhadores no activo".

Cá fora, após uma reunião com a presidente da Assembleia da República, o líder do sindicato dos estivadores apelou à continuação da "resistência activa, sem conformismo" à nova lei. Para Vítor Dias, a luta dos estivadores "já está a incomodar os lacaios do sistema, e dá ao Governo um exemplo do que pensavam ter eliminado". O Sindicato dos Estivadores do Centro e Sul entregou, entretanto, um novo pré--aviso de greve, para paralisação às horas extras nos portos de Lisboa, Setúbal, Figueira da Foz e Aveiro, até 17 de Dezembro.

ESTIVADORES FIZERAM ARRAIAL

À chegada, os estivadores gritaram palavras de ordem que conseguiram calar as cornetas dos feirantes que ali também ‘acamparam’ em protesto. Tinham ‘à espera’ matraquilhos, carrinhos de choque e uma caravela que subia e descia a um ritmo frenético. Só iriam usufruir dos divertimentos mais tarde, quando o presidente do Sindicato dos Estivadores do Centro e Sul fez uma pausa nos discursos para reunir com a presidente da Assembleia.

Durante quase duas horas tiveram ordem de soltura e fizeram um verdadeiro arraial. Os insultos ao primeiro-ministro foram interrompidos para dar lugar à música. Também se cantaram cantigas de Abril mas foram canções como ‘We are the champions’ e ‘O Pai da Criança’ que animaram os presentes. Houve bailarico com comboio, abraços colectivos e cerveja a rodos. "Estou tão bêbedo, pá" foi das frases mais repetidas. No meio da animação, houve uns mais afoitos que foram segurados pelos colegas para não excederem as barreiras de segurança.

"Não sou homem não sou nada se não for meter uma bomba lá dentro", disse um visivelmente alcoolizado. "Lembra-te que não podemos esticar-nos porque as pessoas têm má imagem de nós", travou-o um colega enquanto lhe cravava as unhas no braço. "Fizemos um acordo com a polícia. Eles não mandam infiltrados e nós não usamos da violência". Durante a concentração foram lançadas dezenas de petardos, para euforia da maioria. No auge da ‘festa’ um estivador de Alcântara entusiasmou-se com a música ‘Bomba (Um Movimento Sexy)’ e iniciou um striptease que o deixou em tronco nu, mostrou o rabo e abanou-se para a assistência, que incluía vários colegas estrangeiros a aplaudir. Parecia um recreio da escola antes de chegar o professor.

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