'Solitário' que assaltou 20 bancos com réplica de arma condenado a 11 anos de prisão

O homem conhecido como o "solitário", acusado de roubar 20 instituições bancárias com uma réplica de arma e de se ter apropriado de 152 mil euros, foi hoje condenado a uma pena de 11 anos de prisão efectiva.Carlos Teixeira, antigo ciclista do Boavista, foi ainda condenado a pagar 50 580 euros ao BPI, 97 237 euros ao BPN e 600 euros pela contra-ordenação, resultante do uso de réplica de arma de fogo.
Contabilizando todos os crimes, daria uma pena de 48 anos e três meses, mas o colectivo de juízes da 4.ª Vara Criminal de Lisboa decidiu aplicar, em cúmulo jurídico, a pena única de 11 anos de prisão efectiva.
Segundo o presidente do colectivo de juízes, ficou provado o "essencial da acusação", uma vez que o arguido "confessou" os crimes, salientando que Carlos Teixeira usou uma réplica de uma arma de fogo, que levou as vítimas a entregarem o dinheiro.
Bruno Gorjão acrescentou que o arguido "não agiu com violência física" e que se mostrou "arrependido" de ter cometido os roubos.
A tese da defesa apresentada pelo ex ciclista durante o julgamento - de que agiu sob coação de outras pessoas - não convenceu o tribunal, já que "nunca foi visto ninguém à espera do arguido".
A advogada de Carlos Teixeira estava visivelmente inconformada com a decisão e garantiu que vai recorrer para o Tribunal da Relação.
"O meu cliente agiu sob coação, foi coagido por agiotas para cometer estes crimes. Sei quem são essas pessoas, que também deviam estar a ser julgadas, mas não vou dizer quem são. Sinto-me injustiçada, pois o meu cliente devia ter saído com pena suspensa ou absolvido", disse Sandra Dias, à saída da sala de audiências das Varas Criminais de Lisboa, no Campus da Justiça.
A advogada justificou ainda a sua opinião com o "estado de necessidade" do seu cliente, sem no entanto especificar ao que se referia, negando que o arguido tenha dívidas do jogo.
Carlos Teixeira, 41 anos, estava acusado de 20 crimes de roubo qualificado, quatro na forma tentada, levados a cabo entre Abril de 2011 e Janeiro deste ano.
Segundo a acusação do Ministério Público, o arguido praticou os roubos nos concelhos de Lisboa, Cascais, Oeiras, Mafra, Torres Vedras, Seixal, Loures e Amadora, sempre sozinho e munido de uma réplica de arma de fogo e de meios de disfarce, como óculos escuros, boné de cor escura e fita-cola colada na ponta dos dedos.
Carlos Teixeira, sem antecedentes criminais, actuava "com anormal à vontade" e "mantinha uma vida normal e discreta", o que dificultou a sua identificação.
Estava registado como empresário em nome individual, a operar como comercial na venda de telemóveis, centrais telefónicas e redes.
Depois de uma longa investigação, iniciada após o primeiro roubo, a Polícia Judiciária conseguiu apurar dados identificativos do ex ciclista e deteve-o na zona de Cascais, onde residia.

Fonte: Lusa/SOL