No Congresso do PCP, a antiga deputada, com várias referências literárias pelo meio, questionou-se sobre quantas pessoas será preciso condenar à miséria para «produzir um rico».

A comunista Odete Santos interrogou-se, esta sexta-feira, sobre se ainda existe democracia em Portugal e denunciou os ataques à Constituição feitos por um Governo «submetido às botas alemãs».

Citando o escritor Almeida Garrett, esta antiga deputada perguntou mesmo quantas pessoas será preciso «condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, desmoralização, infâmia, ignorância, desgraça e penúria absoluta para produzir um rico».

Num discurso com várias referências literárias, a advogada de Setúbal, que está de saída do Comité Central do partido, disse não perceber como se «propala que o povo português é o melhor do mundo» e depois se condenam as greves feitas no país.

«'Não se embarca tirania neste batel divinal', dir-lhes-ia Gil Vicente, ao recusar-lhes a entrada na barca do Céu», frisou Odete Santos, que criticou as intenções do ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, relativas à «lei sobre os murais políticos».

No seu discurso, não faltaram ainda críticas ao ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, que foi mesmo vaiada no pavilhão de Almada onde decorre este congresso.



Fonte: TSF