Lisboa vedada a carros com mais de 16 anos

Afinal, só quem não mora em Lisboa vai ser impedido de andar na capital com carros com mais de 16 anos. Os residentes vão ficar isentos das restrições à circulação de automóveis com matrículas anteriores aos anos de 2000 e 1996, que se vão aplicar em Lisboa a partir do final do primeiro trimestre de 2013.
A forma como essa isenção se irá aplicar ainda está em estudo. Mas o vereador da Mobilidade da Câmara de Lisboa, Fernando Nunes da Silva, explica que há duas possibilidades para que os aparelhos de leitura de matrículas que vão ser instalados pela cidade distingam quem mora na capital. «As matrículas serão lidas e comparadas com o ficheiro dos residentes que a EMEL tem, quando emite os dísticos», avança, acrescentando que «há ainda a possibilidade de comparar os dados com o registo automóvel».
Desta maneira, só quem viva na primeira Zona de Emissões Reduzidas (ZER) – entre o Marquês de Pombal e o Terreiro do Paço – vai poder circular por aí com veículos anteriores ao ano 2000. Já no eixo da ZER II – definido pela Av. de Ceuta/Sete Rios/Av das Forças Armadas/Av. EUA/Av. General Spínola/ligação à Av. Infante D.Henrique – só os moradores em Lisboa vão poder conduzir carros com matrículas anteriores a 1996. E há outra excepção: os clássicos. Nunes da Silva diz que «estão isentos, desde que sejam reconhecidos pelo ACP (Automóvel Clube de Portugal)».

Multas de 25 euros

Todos os que não morem no concelho de Lisboa nem conduzam clássicos terão de deixar os carros anteriores a 1996 à porta da cidade. Se não o fizerem arriscam-se a pagar uma multa de 25 euros, quando passarem pelos aparelhos de leitura que vão ser distribuídos pelas avenidas que limitam as ZER.
Inicialmente, a câmara ponderou colocar pórticos semelhantes aos das antigas SCUT. Mas agora Nunes da Silva diz estar a estudar a colocação dos aparelhos «nos postes usados pelos semáforos».
A medida é aplaudida pelos ecologistas da Quercus, mas fortemente contestada pelo ACP. «Estamos a ponderar avançar com uma providência cautelar», revela ao SOL Carlos Barbosa, que acha que a ideia da câmara «não tem pés nem cabeça». E assegura que «desde 1998 há catalizadores que já tornam os carros muito menos poluentes». Em tempos de crise, as novas regras são, para o presidente do ACP, ainda mais disparatadas. «As pessoas não podem ir comprar carros novos».
Nunes da Silva contrapõe que Lisboa continua a não cumprir a Lei de Qualidade do Ar, apesar das alterações de trânsito, e lembra que Portugal foi o único país da Europa a ser condenado pelo Tribunal de Justiça Europeu por isso mesmo. Com 380 mil carros a entrar todos os dias na cidade, apenas 125 a 140 mil são de residentes. «É legítimo que sejam os lisboetas a sofrer as consequências nefastas?», questiona o vereador.

Fonte: SOL